30 de abr de 2009

GRIPE SUÍNA
Vulgo Influenza A (H1N1)

Saindo do forno. Foto em março de 2007.

A Organização Mundial da Saúde alterou o nome da gripe suína/influenza suína, que passa a ser denominada oficialmente "Influenza A (H1N1)". A OMS alega reclamações das indústrias de alimentos à base de suínos e o temor de defensores dos animais de eventuais sacríficios de porcos, como acontece no Egito. Bobagem! Os suínos são criados específicamente para o abate. A medida chegou tarde em Santa Catarina, onde os estragos já foram feitos. Quem trabalha com suínos no meio rural sente os prejuizos. Se as autoridades não estivessem tão envolvidas com o WTTC, teriam prestado um pouco mais de atenção ao problema. De minha parte vou assar um pernil de porco no final de semana, enviado por meus cunhados do Extremo-Oeste catarinense.

A Secretaria Estadual de Saúde parece ter se acordado, quase uma semana depois do anúncio oficial da gripe suína pela OMS. A SES dá plantão no feriado e abriu um link com informações sobre a ameaça de pandemia.


Influenza nos bastidores

Ilustração - Iván Lira/Rebelion

* Aos poucos surgem informações sobre a origem do sinistro H1N1, o vírus da gripe suína. O jornalista Carlos Martínez (marcarlos@gmail.com) aponta a multinacional Granjas Carroll, com 50% do capital acionário nas mãos da Smithfield Foods, Inc. (Virginia-USA), como a responsável pela tragédia planetária. A indústria deixou de operar nos Estados Unidos devido a contaminação provocada pela criação de porcos, tendo iniciado as operações na cidade mexicana de Perote em 1994. Confira a matéria completa na revista eletrônica Rebelión.

* Leia também uma entrevista do economista Alejandro Nadal, na mesma Rebelión, com o título “El sospechoso número uno es el sistema de producción industrial de cerdos [porcos], en donde el hacinamiento [confinamento] permite el intercambio masivo de vírus".

Charge do Frank



Informações oficiais no site do Ministério da Saúde.

30.4.2009 - 12h04
Legislação Ambiental de Santa Catarina:
"Isto é suicídio ecológico"

Gaspar-SC. Foto Neiva Daltrozzo (Secom). Novembro de 2008.


Por Redação do IHU Online

O governo de Santa Catarina acaba de aprovar mudanças no Código Florestal que reduzem a proteção das matas e vão de encontro às determinações do Código Florestal Federal, que também corre o risco de passar por transformações perigosas para o meio ambiente do país. “Estamos instituindo uma regra básica em Santa Catarina: degradação ambiental sem punição”, sustenta o professor Rubens Nodari. Ele conversou por telefone com a IHU On-Line.

Nodari declara que, com as mudanças aprovadas para Santa Catarina, o estado está cometendo um suicídio ecológico, uma vez que “essa substituição vai, por um lado, causar danos à biodiversidade, erosão genética, e, por outro, interromper os processos ecológicos”. Ele também analisou, durante a entrevista, o processo de debate em torno de possíveis mudanças que podem ser feitas na legislação ambiental nacional. “O que Santa Catarina fez é parte de uma orquestração nacional muito maior, comandada pela Confederação Nacional das Indústrias, pela bancada ruralista e pelos grandes latifundiários do país, ou seja, usar os pequenos agricultores para modificar o Código Florestal. Esse grupo convencionou de que não precisa cumprir o Código Florestal para aumentar a produção de grãos”, declarou.

Rubens Onofre Nodari é agrônomo pela Universidade de Passo Fundo. É mestre em Fitotecnia, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e doutor pela University Of California At Davis. Atualmente, é professor da Universidade Federal de Santa Catarina.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente realizaram negociações para elaborar uma proposta comum de mudança do Código Florestal. O Código Florestal atual precisa de mudanças?

Rubens Nodari - Não, não há necessidade de mudanças. A questão é que o país deve fazer a Reforma Agrária para dar terra necessária para uma família viver. O fato de que um grande contingente de agricultores tem pouca área não se resolve permitindo o desmatamento. A lógica que o Ministério da Agricultura tenta viabilizar irá comprometer as futuras gerações. O que Santa Catarina fez é parte de uma orquestração nacional muito maior, comandada pela Confederação Nacional das Indústrias, pela bancada ruralista e pelos grandes latifundiários do país, ou seja, usar os pequenos agricultores para modificar o Código Florestal. Esse grupo convencionou de que não precisa cumprir o Código Florestal para aumentar a produção de grãos.

IHU On-Line - As negociações terminaram mal, uma vez que o grupo que discutia o tema foi extinto. O senhor acha que a discussão acabou?

Rubens Nodari - A discussão nunca acaba. Na verdade, não houve acordo dentro do governo. O Ministério do Meio Ambiente tem razão em não concordar com a alteração no Código Florestal de misturar situações que não fazem sentido ambientalmente. O que o ministério do Meio Ambiente tem feito é, por exemplo, permitir que a reserva legal seja manejada de forma sustentável. Desse modo, 20% da área precisam ser mantidos com cobertura florestal. A partir daí, os proprietários podem fazer um manejo sustentável, permitindo que a vegetação seja permanente. No entanto, o que temos visto de fato é que as mudanças climáticas, ou seja, os eventos extremos, são cada vez mais frequentes e virão ainda mais fortes. Ou seja, eles expressam que as mudanças climáticas já chegaram. Então, se não fizermos nada para frear esse desmatamento, iremos comprometer o ambiente para as gerações futuras. Sob esse ponto de vista, é uma irresponsabilidade sem precedentes um órgão de governo, que é o Ministério da Agricultura, apregoar uma degradação ambiental maior ainda do que já existe.

IHU On-Line - Para onde esse debate deve caminhar?

Rubens Nodari - Pela sociedade, porque se deixarmos no Congresso Nacional já sabemos no que pode dar. Os representantes, que estão de olho na eleição de 2010, não irão resolver, pois, na verdade, no caso de Santa Catarina, não houve qualquer deputado contra, uma vez que os industriais e os grandes latifundiários organizaram a vinda de milhares de pequenos agricultores. Assim, pressionados pelas próximas eleições, os deputados acabaram votando num código que não resolve o problema dos pequenos agricultores. O que resolve o problema é a Reforma Agrária. No Congresso Nacional, irá acontecer a mesma coisa, pois a bancada ruralista é muito forte. Esse debate precisa vir para a sociedade, porque a questão ambiental pertence a cada um de nós. Temos de nos perguntar: o que queremos para nós, hoje, e para as futuras gerações? Importa meia dúzia de reais hoje ou a vida digna para futuras gerações?

IHU On-Line - Para o senhor, o que fazer com as áreas já desmatadas do país?

Rubens Nodari - Devemos permitir que a sucessão florestal seja realizada prioritariamente com a vegetação que ocorre na região. Os estudos científicos têm mostrado que 20% dos gases a base de carbono são oriundos de desmatamentos seguidos de queimadas. Por outro lado, as práticas indígenas, principalmente na Amazônia, de pegar restos vegetais e fazer uma queima branda e incorporar o carvão no solo, tornam-no mais fértil. A ciência está descobrindo agora que os manejadores da Amazônia foram os povos mais agroecológicos que existiram na natureza, porque eles praticavam agricultura, faziam uma queima branda dos restos, de tal maneira que parte do carbono é fixada no próprio solo. Então, devemos encontrar maneiras de fixar mais carbono, tirando esse que está no ar. Não é uma questão de parar só as emissões, mas fixar para diminuir a quantidade de gases na atmosfera. No entanto, o Ministério da Agricultura e os grandes latifundiários querem que se permita o aumento do desmatamento, e assim por diante. E aí eles vão contra qualquer esforço para diminuir os efeitos das mudanças climáticas.

IHU On-Line - Essas mudanças realizadas no Código Florestal de Santa Catarina beneficiam quem?

Rubens Nodari - Os grandes latifundiários, porque 1,9% dos proprietários rurais de Santa Catarina detêm 1/3 das terras do estado. Com aquela “fachada” de trazer os pequenos agricultores, eles incluíram nesse Código Florestal estadual uma diminuição da faixa de área de preservação permanente (APP) de 30 para cinco metros, permitiram que se use concomitantemente APP com reserva legal num só instrumento, além de terem criado uma junta conciliatória em que o setor produtivo tem igual número de membros para julgar se uma multa por um ato ilegal ou ilícito deva ser empregado ou não, sendo formada por três representantes do estado e três do governo (que não podem votar). Então, o setor privado sempre estará em maioria. Portanto, estamos instituindo uma regra básica em Santa Catarina: degradação ambiental sem punição. Além disso, a questão da água não está posta no Código Florestal. Você já viu um Código Florestal, que trata do meio ambiente, que não fale em água? Se um agricultor está poluindo um rio, tem o direito adquirido de continuar poluindo, se estiver ali há vários anos. Estamos legalizando a degradação ambiental desse estado.

IHU On-Line - Essa é uma política de terra arrasada?

Rubens Nodari - No oeste de Santa Catarina, já estamos quase arrasados. Os agricultores primeiro vieram do Rio Grande do Sul e ocuparam o oeste do estado. Com o nascimento de seus filhos, houve repartição das terras e, então, eles foram invadindo a reserva legal e as áreas de preservação permanente. O governo, além de querer legalizar essa situação, permite que outras áreas sejam desmatadas de forma legal. É possível que, com isso, estejamos permitindo que esse estado tenha no máximo uns 10% de vegetação, o que seria um suicídio ambiental. No oeste do estado, em função do desmatamento que já foi feito no passado, tivemos cinco secas em dez anos e os poços artesianos da região precisam ser baixados, todo ano, um metro, pois não há vegetação que segure a água. Os custos ambientais e os prejuízos causados pela seca são muito maiores do que os eventuais grãos que poderiam ser cultivados nessas extensões de terras que seriam destinadas à área de preservação permanente ou a reserva legal.

IHU On-Line - As mudanças no Código Florestal de Santa Catarina são inconstitucionais?

Rubens Nodari - Existe um conjunto de artigos que são absolutamente conflitantes com o Código Florestal Federal e alguns são conflitantes com artigos da Constituição Brasileira. Por esta razão, o Ministério Público Federal de Santa Catarina já entrou com o pedido de inconstitucionalidade. Podemos dividir as características do código em três partes:

1) Contém conflitos com a legislação federal e com a Constituição;

2) É voltado para a degradação ambiental sem punição;

3) É incompleto, porque não incorpora o saneamento, a água e a educação ambiental.

Resumindo, essas mudanças revelam um desastre de uma sociedade.

IHU On-Line - Que consequências essas mudanças provocam no meio ambiente catarinense?

Rubens Nodari - Vamos começar a fazer uma campanha para que os pequenos agricultores não utilizem essas prerrogativas aprovadas. Isso dependerá da população, pois, se ela continuar o desmatamento, a situação será cada vez pior. Se a população compreender que a vegetação é importante para a vida e para seus descendentes, é provável, inclusive, que possamos inclusive reverter esse quadro.

IHU On-Line - Os desastres que ocorreram em Santa Catarina foram levados em conta na discussão sobre as mudanças no Código Florestal do estado?

Rubens Nodari - Foram levados em conta por um pequeno grupo da população mais consciente.

IHU On-Line - Uma das culturas privilegiadas pelo novo Código Florestal catarinense é a do pínus. Que mudanças essa cultura traz para o estado?

Rubens Nodari - Um estado que renuncia cultivar uma das suas principais espécies, a araucária, que tem uma forte interação com o meio ambiente e produz a mesma ou mais quantidade de madeira, ao incorporar o pínus está negando a sua própria origem. Além disso, demonstra que a indústria catarinense não tem a menor preocupação com o meio ambiente. Além do mais, o governo do estado definiu, de uma forma totalmente equivocada, que um campo de altitude é aquele que está a 1500 metros. Então, você irá encontrar pínus nos campos, nos parques ou nas áreas de proteção ambiental. Ou seja, todos os campos nativos que têm uma vegetação rica poderão ser substituídos por pínus. E ainda esse pessoal tem direito a pedir crédito de carbono e receberão dinheiro do estado por danificar o ambiente natural por uma espécie exótica, alterando totalmente as relações dessa espécie com os outros organismos. Essa substituição irá, por um lado, causar danos à biodiversidade, erosão genética, e, por outro, interromper os processos ecológicos. Isto é suicídio ecológico. Precisamos conclamar as pessoas que não concordam com essa política de degradação ambiental que se juntem e convençam outras pessoas a fazer o contrário do que o governo de Santa Catarina quer.

(Envolverde/IHU - Instituto Humanitas Unisinos)


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IMAGENS DE SAMBAQUI
Florianópolis-SC, 29.4.2009
















29 de abr de 2009

A gripe suína e o monstruoso
poder da indústria pecuária

Ilustração: Gervasio Umpiérrez

Por Mike Davis*

Em 1965, havia nos EUA 53 milhões de porcos espalhados entre mais de um milhão de granjas. Hoje, 65 milhões de porcos concentram-se em 65 mil instalações. Isso significou passar das antiquadas pocilgas a gigantescos infernos fecais nos quais, entre esterco e sob um calor sufocante, prontos a intercambiar agentes patógenos à velocidade de um raio, amontoam-se dezenas de milhares de animais com sistemas imunológicos debilitados. Cientistas advertem sobre o perigo das granjas industriais: a contínua circulação de vírus nestes ambientes aumenta as oportunidades de aparição de novos vírus mais eficientes na transmissão entre humanos. A análise é de Mike Davis.

A gripe suína mexicana, uma quimera genética provavelmente concebido na lama fecal de um criadouro industrial, ameaça subitamente o mundo inteiro com uma febre. Os brotos na América do Norte revelam uma infecção que está viajando já em maior velocidade do que aquela que viajou a última cepa pandêmica oficial, a gripe de Hong Kong, em 1968.

Roubando o protagonismo de nosso último assassino oficial, o vírus H5N1, este vírus suíno representa uma ameaça de magnitude desconhecida. Parece menos letal que o SARS (Síndrome Respiratória Aguda, na sigla em inglês) em 2003, mas como gripe, poderia resultar mais duradoura que a SARS. Dado que as domesticadas gripes estacionais de tipo “A” matam nada menos do que um milhão de pessoas ao ano, mesmo um modesto incremento de virulência, poderia produzir uma carnificina equivalente a uma guerra importante.

Uma de suas primeiras vítimas foi a fé consoladora, predicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), na possibilidade de conter as pandemias com respostas imediatas das burocracias sanitárias e independentemente da qualidade da saúde pública local. Desde as primeiras mortes causadas pelo H5N1 em 1997, em Hong Kong, a OMS, com o apoio da maioria das administrações nacionais de saúde, promoveu uma estratégia centrada na identificação e isolamento de uma cepa pandêmica em seu raio local de eclosão, seguida de uma massiva administração de antivirais e, se disponíveis, vacinas para a população.

Uma legião de céticos criticou esse enfoque de contrainsurgência viral, assinalando que os micróbios podem agora voar ao redor do mundo – quase literalmente no caso da gripe aviária – muito mais rapidamente do que a OMS ou os funcionários locais podem reagir ao foco inicial. Esses especialistas observaram também o caráter primitivo, e às vezes inexistente, da vigilância da interface entre as enfermidades humanas e as animais. Mas o mito de uma intervenção audaciosa, preventiva (e barata) contra a gripe aviária resultou valiosíssimo para a causa dos países ricos que, como os Estados Unidos e a Inglaterra, preferem investir em suas próprias linhas Maginot biológicas, ao invés de incrementar drasticamente a ajuda às frentes epidêmicas avançadas de ultra mar. Tampouco teve preço esse mito para as grandes transnacionais farmacêuticas, envolvidas em uma guerra sem quartel com as exigências dos países em desenvolvimento empenhados em exigir a produção pública de antivirais genéricos fundamentais como o Tamiflu, patenteado pela Roche.

A versão da OMS e dos centros de controle de enfermidades, que já trabalha com a hipótese de uma pandemia, sem maior necessidade novos investimentos massivos em vigilância sanitária, infraestrutura científica e reguladora, saúde pública básica e acesso global a medicamentos vitais, será agora decisivamente posta a prova pela gripe suída e talvez averigüemos que pertence à mesma categoria de gestão de risco que os títulos e obrigações de Madoff. Não é tão difícil que fracasse o sistema de alertas levando em conta que ele simplesmente não existe. Nem sequer na América do Norte e na União Européia.

Não chega a ser surpreendente que o México careça tanto de capacidade como de vontade política para administrar enfermidades avícolas ou pecuárias, pois a situação só é um pouco melhor ao norte da fronteira, onde a vigilância se desfaz em um infeliz mosaico de jurisdições estatais e as grandes empresas pecuárias enfrentam as regras sanitárias com o mesmo desprezo com que tratam aos trabalhadores e aos animais.

Analogamente, uma década inteira de advertências dos cientistas fracassou em garantir transferências de sofisticadas tecnologias virais experimentais aos países situados nas rotas pandêmicas mais prováveis. O México conta com especialistas sanitários de reputação mundial, mas tem que enviar as amostras a um laboratório de Winnipeg para decifrar o genoma do vírus. Assim se perdeu toda uma semana.

Mas ninguém ficou menos alerta que as autoridades de controle de enfermidades em Atlanta. Segundo o Washington Post, o CDC (Centro de Controle de Doenças) só percebeu o problema seis dias depois de o México ter começado a impor medidas de urgência. Não há desculpas para justificar esse atraso. O paradoxal desta gripe suína é que, mesmo que totalmente inesperada, tenha sido prognosticada com grande precisão. Há seis anos, a revista Science publicou um artigo importante mostrando que “após anos de estabilidade, o vírus da gripe suína da América do Norte tinha dado um salto evolutivo vertiginoso”.


Ilustração: Allan Mcdonald

Desde sua identificação durante a Grande Depressão, o vírus H1N1 da gripe suína só havia experimentado uma ligeira mudança de seu genoma original. Em 1998, uma variedade muito patógena começou a dizimar porcas em uma granja da Carolina do Norte, e começaram a surgir novas e mais virulentas versões ano após ano, incluindo uma variante do H1N1 que continha os genes do H3N2 (causador da outra gripe de tipo A com capacidade de contágio entre humanos).

Os cientistas entrevistados pela Science mostravam-se preocupados com a possibilidade de que um desses híbridos pudesse se transformar em um vírus de gripe humana – acredita-se que as pandemias de 1957 e de 1968 foram causadas por uma mistura de genes aviários e humanos forjada no interior de organismos de porcos – e defendiam a criação urgente de um sistema oficial de vigilância para a gripe suína: advertência, cabe dizer, que encontrou ouvidos surdos em Washington, que achava mais importante então despejar bilhões de dólares no sumidouro das fantasias bioterroristas.

O que provocou tal aceleração na evolução da gripe suína: Há muito que os estudiosos dos vírus estão convencidos que o sistema de agricultura intensiva da China meridional é o principal vetor da mutação gripal: tanto da “deriva” estacional como do episódico intercâmbio genômico. Mas a industrialização empresarial da produção pecuária rompeu o monopólio natural da China na evolução da gripe. O setor pecuário transformou-se nas últimas décadas em algo que se parece mais com a indústria petroquímica do que com a feliz granja familiar pintada nos livros escolares.

Em 1965, por exemplo, havia nos Estados Unidos 53 milhões de porcos espalhados entre mais de um milhão de granjas. Hoje, 65 milhões de porcos concentram-se em 65 mil instalações. Isso significou passar das antiquadas pocilgas a gigantescos infernos fecais nos quais, entre esterco e sob um calor sufocante, prontos a intercambiar agentes patógenos à velocidade de um raio, amontoam-se dezenas de milhares de animais com sistemas imunológicos muito debilitados.

No ano passado, uma comissão convocada pelo Pew Research Center publicou um informe sobre a “produção animal em granjas industriais”, onde se destacava o agudo perigo de que “a contínua circulação de vírus (...) característica de enormes aviários ou rebanhos aumentasse as oportunidades de aparição de novos vírus mais eficientes na transmissão entre humanos”. A comissão alertou também que o uso promíscuo de antibióticos nas criações de suínos – mais barato que em ambientes humanos – estava propiciando o surgimento de infecções de estafilococos resistentes, enquanto que os resíduos dessas criações geravam cepas de escherichia coli e de pfiesteria (o protozoário que matou um bilhão de peixes nos estuários da Carolina do Norte e contagiou dezenas de pescadores).

Qualquer melhora na ecologia deste novo agente patógeno teria que enfrentar-se com o monstruoso poder dos grandes conglomerados empresariais avícolas e pecuários, como Smithfield Farms (suíno e gado) e Tyson (frangos). A comissão falou de uma obstrução sistemática de suas investigações por parte das grandes empresas, incluídas algumas nada recatadas ameaças de suprimir o financiamento de pesquisadores que cooperaram com a investigação.

Trata-se de uma indústria muito globalizada e com influências políticas. Assim como a gigante avícola Charoen Pokphand, sediada em Bangkok, foi capaz de desbaratar as investigações sobre seu papel na propagação da gripe aviária no sudeste asiático, o mais provável é que a epidemiologia forense do vírus da gripe suína bata de frente contra a pétrea muralha da indústria do porco.

Isso não quer dizer que nunca será encontrada uma acusadora pistola fumegante: já corre o rumor na imprensa mexicana de um epicentro da gripe situado em torno de uma gigantesca filial da Smithfield no estado de Vera Cruz. Mas o mais importante – sobretudo pela persistente ameaça do vírus H5N1 – é a floresta, não as árvores: a fracassada estratégia antipandêmica da OMS, a progressiva deterioração da saúde pública mundial, a mordaça aplicada pelas grandes transnacionais farmacêuticas a medicamentos vitais e a catástrofe planetária que é uma produção pecuária industrializada e ecologicamente bagunçada.


* Mike Davis é professor no departamento de História da Universidade da Califórnia (UCI), em Irvine, e um especialista nas relações entre urbanismo e meio ambiente. Ex-caminhoneiro, ex-açogueiro e ex-militante estudantil, Davis é colaborador das revistas New Left Review e The Nation, e autor de vários livros, entre eles Ecologia do Medo, Holocaustos coloniais, O monstro bate a nossa porta (editora Record), e Cidade de quartzo: escavando o futuro em Los Angeles (Boitempo) Também é membro do Conselho Editorial de Sin Permiso.

Artigo publicado originalmente no inglês The Guardian (27.4.2009). Traduzido para o espanhol por Marta Domènech e María Julia Bertomeu (Sin Permiso). Tradução para o português de Katarina Peixoto (Envolverde/Carta Maior).

Os paradoxos da democracia


Por Amílcar Neves*

Existem as pessoas que são tidas por formadoras de opinião e aqueloutras que têm opinião formada (e da qual, geralmente, nunca abdicam).

Houve tempo em que os formadores de opinião não podiam se manifestar - pelo menos, não o podiam fazer livremente. Somente às pessoas de opinião formada era dado dizer o que pensavam - sempre num círculo muito ínfimo e restrito, e desde que, se contrárias, suas opiniões não chegassem jamais a ouvidos oficiais, direta ou indiretamente, ou seja, neste caso: através de delação, que podia muito bem ser anônima e, até, absoluta e absurdamente infundada. Daí instaurava-se o medo, obviamente: as portas costumam ter excelente audição e as notícias (ruins) sempre correram céleres.

Nesse tempo, a tecnologia de comunicação, muito mais do que primitiva, era caríssima e volumosa, quer dizer, não se conseguia escondê-la com facilidade nem instalá-la sem uma boa dose de barulho, tempo e poeira. O controle das opiniões e da informação se fazia de forma muito simples, com uma equipe de censores em cada redação de jornal, estação de rádio e estúdio de televisão. Livros, músicas, filmes e peças de teatro somente vinham a público se previamente autorizados pela censura; muitos nunca viram a luz do dia.

Restavam os rádios Transglobe da Philco, com cinco faixas de ondas curtas em todas as metragens, para inteirar-se alguém, sintonizando a BBC de Londres, a Voice of America, a Deutsche Welle ou a Radio Belgrano de Buenos Aires, do que ocorria no Brasil. Mas então os técnicos do regime passaram a emitir ruídos infernais na frequência das principais emissoras estrangeiras.

Hoje, a miniaturização e eficiência dos artefatos tecnológicos virtualmente aboliram a privacidade - o que não significa que os crimes comuns e do colarinho branco tenham diminuído ou aumentado, apenas são expostos em tempo real -, enquanto a Internet abre infindáveis espaços para as pessoas de opinião formada opinarem até sob anonimato, usando um mau português ou termos chulos.

A estas, muita vez, ocorre de considerar como bons os tempos da ditadura, em que não haveria corrupção nem roubalheira generalizada, quando o que não havia, porque censuradas, eram a notícia dos escândalos e a denúncia pública dos envolvidos.

O ser humano é o mesmo: não ficou melhor nem pior depois do 1o de abril de 1964 ou após a redemocratização de 1985.

*Amilcar Neves, escritor. Crônica publicada na edição de hoje (29.4) do jornal Diário Catarinense.

Ilustração: Gallo Sépia

28 de abr de 2009

Se liga autoridade!


Só depois do aparecimento de três casos suspeitos de gripe suína é que as autoridades locais de saúde começaram a se mexer. Os sites do Governo do Estado e da Secretaria de Saúde só foram alimentados hoje (28.4) à tarde com informações sobre o assunto. O portal da Prefeitura de Florianópolis continua vazio.

Se informação é a melhor arma contra o pânico, então as autoridades devem começar a trabalhar o quanto antes. Há pouco um médico disse na Globo News que a população não deve ficar preocupada, mas as autoridades sanitárias precisam estar alarmadas.

Parece que foram todos na conversa do presidente Lula que, do alto de sua longa experiência na área da saúde pública, assegurou que o Brasil dispunha de vacinas. Só faltou dizer que a gripe suína é apenas uma marola. O Ministério da Saúde logo se apressou em explicar ao distinto que "não existe vacina contra esse novo subtipo de vírus de influenza suína, responsável por essa ESPII".

Essa e outras informações estão na nota do Ministério da Saúde reproduzida no site da secretaria estadual de Saúde de Santa Catarina.

Na página da Secom (Governo do Estado) encontramos discreta chamada para entrevista do diretor estadual de Vigilância Epidemiológica, Luis Antonio Silva, um dos poucos que está realmente ligado nessa gripe e no avanço da febre amarela vinda do Rio Grande do Sul e outras ameaças como a dengue. Confira (clique Rádio).



Sintomas*

Febre repentina acima de 38 graus acompanhada de um ou mais dos seguintes sintomas: tosse, dificuldade respiratória, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações; e ter como procedência as áreas afetadas, nos últimos 10 dias.

*Critérios de caso suspeito estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde e pelo Ministério da Saúde.

Confira outras informações oficiais.

Ilustrações: Gallo Sépia

Charge do Frank


IMAGENS DE SAMBAQUI
Florianópolis, 28.4.2009

Obras





Luzes





Vôos



FILOSOFIA DO
RALO DA PIA


Por Raul Longo*

Pois não é que eu descobri que o negócio funciona mesmo!

É tanta das asnices, dos preconceitos, do atraso, do reacionarismo que se ouve e se leva nas fuças a cada vez que se liga a TV, que se olha para uma banca de jornal e revistas, que se escuta o rádio, e até quando, inadvertidamente, se vai abrindo as mensagens do programa de correio; que acabei descobrindo que só me é possível pensar enquanto lavo louça.

Se fosse antes da máquina de lavar roupa, seria ainda melhor. Pensando bem, talvez não... Descarregaria toda minha indignação e não haveria tecido que resistisse muito tempo. Bom mesmo são as louças e panelas, pois essas ao menos brilham solidamente, de alguma forma compensando minha irritação pela debilidade imperante nas médias: a classe social e a do inglês: “media”, que aportuguesamos para mídia.

Além das similaridades ortográficas, também se assemelham no histórico: nunca afundam. Bóiam! Com toda a descarga dos fatos, estão sempre ali: aquele troço amorfo, incapaz, rolando sobre si mesmo e servindo apenas para produzir mau cheiro.

Ao longo dos últimos meses, com insistência quase diária, recebi dezenas de vezes em minha caixa postal a ficha do DOPS onde Dilma Rousseff é apontada como subversiva, envolvida no assalto ao cofre do Adhemar de Barros. Foi isso o que me aproximou da pia, em busca de condições para pensar sobre a inércia mental dos que bóiam, descarregando indignação no arear das panelas.

E minhas panelas ficaram brilhando ainda mais na semana que passou, quando soube que um dos maiores jornais do país utilizou da mesma necedade em suas páginas. Confesso que há muito não espero da mídia brasileira nada acima da média. Sei impossível apresentarem alguma consistência, uma matéria mais sólida. Apesar de ter exercido o jornalismo por três décadas, não tenho nenhuma ilusão quanto aos profissionais do país, mas dessa vez se superaram!

No ensaboar e enxaguar de louças e metais, comecei a me perguntar: Se o principal jornal do país se pauta pela impossibilidade de raciocínio de seu leitor, teremos atingido um moto-perpétuo? A imprensa que idiotizou o leitor torna-se idiotizada pelo mesmo leitor que idiotizou e idiotizará o leitor que a idiotiza através de quantas gerações?

Hoje leio uma frase do humorista José Simão sobre o Brasil emprestar dinheiro ao FMI, aumentando sua cota de participação: "É o poste que mijou no cachorro!" Me sugeriu nova questão para as panelas: o que é o leitor de jornal nesse país? A comparação foi mera conseqüência: seria a famosa “maioria silenciosa” norte-americana tão mentecapta quando sua correspondente brasileira?

Suspiro aliviado e afetando orgulho corrijo a informação, lembrando aos talheres que apesar de menos silenciosos, aqui não fazem maioria, não senhor! Tão pensando que brasileiro é besta?

Os fundos dos copos me olham, obrigando-me a lembrar de nossos vizinhos, da admiração e do carinho que na Argentina se devota às Madres de La Plaza de Mayo, à Bachelet no Chile. Lembrei-me da admiração dos uruguaios pelas vítimas e sobreviventes da luta contra a ditadura tão neo-nazista quanto a nossa! E, pasmo, pergunto à xícara: “- Por que não afundamos?”

Mudos, os pratos, as travessas, os talheres, não podem responder. Insisto, contando que a nossa ditadura foi o modelo para todos os demais países do cone sul do continente. Lembro que fomos os primeiros a cair na mão de militares canalhas, aliados a políticos tão corruptos e asquerosos quanto Adhemar de Barros, um tarado denunciado por muitas de suas funcionárias, mais de uma vez flagrado nu em seu gabinete, molestando secretárias.

Dilma Rousseff nega ter participado do assalto à casa da amante do Adhemar de Barros, de onde levaram um cofre contendo uma fortuna em verbas públicas surrupiadas. De fato, não era o tipo de ação do grupo de resistência ao qual ela pertenceu. Contemporâneos ao fato garantem ter sido realizado pelo grupo do Capitão Carlos Lamarca, que adotava o roubo do que era roubado do povo para aplicar na luta contra o regime que oprimia e roubava o povo.

“- Um novo Robin Hood!” – pronunciaria o juvenil entusiasmo da colherinha de café, mas claro que não pôde dizer coisa alguma. Quando contei que Adhemar fora um hipócrita moralista, líder da Marcha de Deus com a Família que coagia e chantageava mulheres para obter favores sexuais, imaginei um “- Ohhh!” – indignado da panela de pressão. Claro que não houve qualquer reação, mas assim mesmo confessei quanto eu mais admiraria Dilma Rousseff, se realmente fosse ela a autora do assalto à casa da amante do crápula que lançou o lema mais tarde adotado pelo Maluf: “rouba, mas faz”.

Adhemar e Maluf ao menos já afundaram na descarga da história, mas a média e a mídia continuam aí: boiando.

Esfregando a palha de aço, vou ampliando minhas comparações e comentando às louças o que imagino que não daria um candidato alemão para conseguir uma ficha da Gestapo, semelhante a do famigerado e proscrito DOPS sobre a Dilma. O que não daria por uma ficha dessas, qualquer político alemão!

Desde Getúlio Vargas o DOPS foi o responsável pela prisão, tortura, execução e exílio dos mais distinguidos brasileiros de todas as classes sociais e atividades. Inclusive jornalistas como Wladimir Herzog e intelectuais como Graciliano Ramos.

A Gestapo brasileira foi comandada por assassinos tão sanguinários quanto Hermann Göring, como o Filinto Muller e o chefe do Esquadrão da Morte, Sérgio Paranhos Fleury. Se Ângela Merkel tivesse uma ficha da Gestapo igual a que tem Dilma Rousseff do DOPS, nem precisaria ter feito campanha alguma para ser eleita. E faria a maioria no Congresso alemão, sem ter de se preocupar com a enorme coligação que teve de formar com seus opositores.

Na Alemanha, ter confrontado o regime e os torturadores nazistas, é comprovação de heroísmo. Na Argentina, ter reagido e sobrevivido aos torturadores da ditadura, é glorioso! No Chile, como foi à Bachelet, é indicação certa à presidência. No Uruguai, é motivo de admiração e respeito de todos! Em qualquer lugar do mundo!

Só no Brasil a média e a mídia continuam boiando na história, concluo para os pratos, as tampas, gamelas, xícaras e copos, todos muito espantados e estáticos, perfiladinhos ali no escorredor. Inativos, é verdade, mas cada qual com sua utilidade e formas definidas, matérias consistentes.

Desprovidos de inteligência, eu sei. Mas não tão estúpidos a ponto de escorrer mediocridade.

*Raul Longo. Jornalista, residente em Sambaqui (Florianópolis-SC).
pousopoesia@gmail.com

Ilustração: Gallo Sépia

27 de abr de 2009

Destruição em Sambaqui
Jogo de empurra

Parte baixa da rua Osvaldo da Rocha Píres.

Casan e Prefeitura não se entendem e moradores aguardam solução. Secretário de Obras José Nilton Alexandre (Juquinha) esteve no local, tomou decisões mas não satisfez as pessoas que tiveram as casas atingidas na madrugada do último sábado. A principal divergência é em relação ao diâmetro do tubo da rede de drenagem: 40 ou 80 cm. As valas que vão receber a rede foram abertas, mas o material para o serviço não chegou até o final da tarde de hoje (27.4). Os trabalhos de recuperação vão começar pela rua Osvaldo da Rocha Píres (rua do Centro Comunitário), a mais afetada. Depois serão consertadas a travessa Jandira Píres da Cunha e a rua do Condomínio.
Içando motor de escuna
Cena vespetina na orla de Sambaqui

Operação aconteceu hoje (27.4) por volta das 14h30,
atraindo a atenção de quem passava pelo local.









Depois da febre amarela e da dengue
GRIPE SUÍNA


26.4.2009 , às 19h41
NOTA À IMPRENSA


MINISTÉRIO DA SAÚDE
GABINETE PERMANENTE DE EMERGÊNCIAS

Ocorrências de casos humanos de
influenza suína no México e nos EUA


1. Até o momento, não há evidências da circulação do vírus da influenza suína em humanos no Brasil.

2. A Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde foi notificada pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo da existência de dois viajantes brasileiros procedentes do México, que desembarcaram no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, e apresentaram alguns sintomas de doença não definida.

3. Os dois casos estão sendo investigados para identificar a causa do quadro clínico, mas NÃO ATENDEM à definição de caso suspeito de influenza suína por não apresentarem sinais e sintomas compatíveis com a doença: febre acima de 39ºC, acompanhada de tosse e/ou dores de cabeça, musculares e nas articulações.

4. Foi instituído nos aeroportos brasileiros o monitoramento dos viajantes procedentes das áreas afetadas. A Declaração de Bagagem Acompanhada (DBA), documento de preenchimento obrigatório, está sendo retida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para eventual busca de contatos se for detectado caso suspeito. O documento contém informações relativas à saúde do viajante.

5. Neste domingo, começaram a ser veiculados avisos sonoros nos cinco aeroportos que recebem voos internacionais procedentes do México e dos Estados Unidos, principais países afetados pela influenza suína. Os avisos, contendo informações sobre sinais e sintomas e orientações aos viajantes, estão sendo veiculados nos aeroportos internacionais de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Manaus e Fortaleza.

6. Todas as providências estão sendo adotadas para que as tripulações das aeronaves orientem os passageiros, ainda durante o voo, sobre sinais e sintomas da influenza suína. Passageiros com os sintomas deverão se identificar à tripulação e receberão orientações da ANVISA no aeroporto de desembarque.

7. Pessoas procedentes de áreas afetadas, nos últimos 10 dias, que apresentarem os sinais e sintomas acima descritos devem procurar a unidade de saúde mais próxima. Viajantes com destino às áreas afetadas devem estar atentos às recomendações dos governos locais.

Aos viajantes que se destinam às áreas afetadas:

· Usar máscaras cirúrgicas descartáveis, durante toda a permanência em áreas afetadas. Substituir as máscaras sempre que necessário.
· Ao tossir ou espirrar, cobrir o nariz e a boca com um lenço, preferencialmente descartável.
· Evitar locais com aglomeração de pessoas.
· Evitar o contato direto com pessoas doentes.
· Não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal.
· Evitar tocar olhos, nariz ou boca.
· Lavar as mãos freqüentemente com sabão e água, especialmente depois de tossir ou espirrar.
· Em caso de adoecimento, procurar assistência médica e informar história de contato com doentes e roteiro de viagens recentes a esses países.
· Não usar medicamentos sem orientação médica.

8. Não existe vacina contra esse vírus de influenza suína, responsável por essa Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional.

9. A vacina utilizada na Campanha Nacional de Vacinação contra Gripe, que está sendo realizada nesse momento no Brasil, direcionada à população com mais de 60 anos, destina-se somente a proteção contra a influenza sazonal e não protege contra a influenza suína. A Campanha segue normalmente até o próximo dia 8 de maio.

10. Desde 25 de abril de 2009, foi instituído o Gabinete Permanente de Emergência, no Centro de Informações Estratégicas e Respostas em Vigilância em Saúde (CIEVS) da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS), para monitorar a situação e indicar as medidas adequadas ao país. Formado por representantes do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o grupo se reúne diariamente, em Brasília.

11. As Coordenações Estaduais de Vigilância em Saúde foram orientadas para notificar imediatamente a ocorrência de casos suspeitos ao Ministério da Saúde e recomenda-se aos profissionais de saúde das redes pública e privada que estejam atentos para a notificação de possíveis casos suspeitos.

12. Com relação à sanidade animal, no Brasil, não há suspeita ou registro de gripe suína causada pelo mesmo agente identificado nas áreas afetadas. Além disso, o consumo de produtos de origem suína não representa risco à saúde das pessoas.


SAIBA MAIS

Portal do Ministério da Saúde sobre a doença.

Alerta de emergência de saúde pública de importância internacional.
Ministério da Saúde/Gabinete Permanente de Emergências em Saúde Pública.

Plano brasileiro para o enfrentamento de uma pandemia de influenza.

26 de abr de 2009

RICARDO MEGA DO REGO BARROS
Brasília, 15.12.1969 - Florianópolis, 25.4.2009


Redação da sucursal do jornal A Notícia
(Florianópolis-SC), cerca de 2007.


Deve ter sido lá por volta de 2004 ou antes. O sempre atento Édson Rosa, chefe de reportagem da sucursal do jornal A Notícia e AN Capital em Florianópolis, pautou o repórter fotográfico Ricardo Mega para cobrir um roubo na residência do tenista Guga Kuerten, na rodovia Admar Gonzaga, no início do morro da Lagoa. Chegou ao local junto com a Polícia e fez as fotos das buscas na área externa. Ao entrar na casa foi bruscamente barrado por um irmão do tenista que, alterado, disse mais ou menos assim: Eles não entram aqui em dias normais, quanto mais nessa situação.

Nem é preciso dizer que o Mega ficou nervoso, vermelho, as veias do pescoço saltaram. Ato seguinte, o dito mano Kuerten passou a exigir o filme (na época era filme), pressionou os policiais que foram para cima do profissional. Ainda inexperiente e tomado de surpresa, entregou o rolo e retornou a redação, onde narrou o ocorrido. Como envolvia o tenista, não quiseram no jornal tocar no caso, mas o fato alimentou uma discussão. Ele deveria ou não ter entregue o filme? A conclusão foi que não poderia ter feito o que fez, deveria ter tentado de alguma forma garantir as imagens obtidas.

Mega ouviu atento, concordou, acrescentando mais uma na sua bagagem de experiência e revelando um traço importante de seu caráter: a humildade, a capacidade de refletir, aprender, somar aprendizados. A técnica ele tinha, ou seja, sabia como operar os equipamentos e foi o primeiro a aderir a conversão pelo digital no jornal A Notícia em Florianópolis. Mas lhe faltava a prática do foto-jornalismo, estava iniciando. Sempre atento, questionando, procurando observar com atenção o trabalho dos colegas, ganhou dimensão, sem abandonar jamais aquele ar ingênuo, o bom humor, a disposição.

Era totalmente despido de malícia. Ou seja, custou a entender que nem tudo o que se fala em Florianópolis se faz. E que o pessoal é dado a piadas e a por apelidos nos recém-chegados, pregar peças, aproveitar o 1º de abril. E o candango Mega a cair como tolo nas armadilhas dos colegas. Claro, nada que tenha causado dano, só pelo susto, até que ele foi se acostumando e a certa altura já não dava mais bola para as palhaçadas. Por essas e outras ele angariou tanta amizade, respeito profissional, tanto carinho dos colegas, amigos, conhecidos e fotografados.

Nascido em Brasília em 15 de dezembro de 1969, criado no meio militar, morou em várias cidades brasileiras. Com cerca de 23 anos, ingressou no curso técnico de fotografia da Escola Pan-Americana de Artes (EPA-SP, 1992-1993), com especialização em revelação e amplicação p&b e cor. Foi repórter-fotográfico do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, Editora Bloch (SP) e os jornais Diário Popular e Folha de São Paulo (caderno regional Folha Verde).

O passo seguinte foi seguir para a Austrália visando obter fluência no idioma inglês, onde atuou como fotógrafo e editor da Waverider Surf Magazine (1996-1997). Na volta, foi atuar como repórter-fotográfico do jornal Vale Paraibano. Eis que no ano 2000 ele está em Florianópolis para atuar na sucursal do jornal A Notícia. Foi quando o conheci, atuando lado a lado por sete anos.

O velório de hoje (26.4) no Itacorubi foi marcado por muita emoção. Ex-colegas do jornal A Notícia estavam lá, junto com os familiares. Cremado em Camboriu, suas cinzas vão ser lançadas no mar do Campeche pelos pais. Era isso que ele queria. Surfava aquelas ondas. Era casado com Isabelle Búrigo Paulo.



Homenagem de Arturo Gallo Sépia.


Pra onde foi o Mega!




Praia da Solidão, sul da Ilha de Santa Catarina
(Florianópolis-SC). A serviço. Por volta de 2006.



"É inacreditável o que aconteceu!!!!" (Sofia Mafalda)