31 de mar de 2009

Jornalistas estão mobilizados
Defesa do diploma e regulamentação profissional




Um ato público dos jornalistas catarinenses amanhã (1º de abril), às 14h, em frente ao Tribunal Regional Federal (TRF), em Florianópolis, é uma das várias manifestações no Estado em defesa do diploma e da regulamentação profissional. Nesse horário, estará sendo julgado no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, o recurso extraordinário contra a exigência da formação específica para o exercício do jornalismo. Desde a semana passada que o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina promove e participa da programação pública em defesa da formação e da regulamentação.

Ainda na Capital, hoje (31), no auditório da Fecesc, em Florianópolis, o SJSC promove, às 19h, debate sobre a regulamentação e lançamento do livro “Formação Superior em Jornalismo - Uma Exigência que Interessa á Sociedade”, com presenças de organizadores e autores de textos. Ontem, dia 30, o Sindicato participou da comemoração dos 30 anos do Curso de Jornalismo da UFSC. Antes disso, no dia 25, ocorreu uma assembléia extraordinária que debateu recomendações para as novas propostas curriculares, já enviadas pela Direção do SJSC à Comissão de Especialistas do MEC.

Leia abaixo a programação nas demais cidades:

Blumenau
Os dirigentes Aristheu Formiga e Fernando Arteche Hamilton fazem panfletagem amanhã (1.4) nas escadarias da Catedral, na rua XV de Novembro. Ontem (30) houve debate sobre diploma e regulamentação no curso de jornalismo da Sociesc/IBES.

Chapecó
O curso de jornalismo da Unochapecó realizou hoje (31) panfletagem na universidade, antes do início e no intervalo das aulas. A manifestação será filmada e postada no You Tube.

Concórdia
Amanhã (1º) jornalistas, professores e estudantes usam camisetas pretas para protestar contra a ameaça à profissão. O ato será na Praça Dogello Goss, no centro, às 17h.

Criciúma
Profissionais, professores e estudantes reúnem-se hoje (31) no auditório dois da SATC, às 19h, para protestar em favor da necessidade da formação superior específica e do diploma para o exercício da profissão de jornalista. A manifestação em Criciúma é um movimento do SJSC em parceria com o curso de jornalismo das faculdades SATC e os profissionais da área. O grupo discute hoje também quais atividades serão realizadas amanhã na cidade.

Itajaí
Hoje (31), 19h, na Univali, o diretor Felipe Damo conversa com os estudantes e realiza panfletagem.

Joinville
Os diretores Hilton Maurente e Marlise Groth reúnem-se hoje à noite (31) com 100 alunos do curso de jornalismo do IELUSC para debater sobre o diploma e regulamentação.

São Miguel do Oeste
Debate hoje à noite (31) com as turmas do curso de Jornalismo da Unoesc - Campus São Miguel do Oeste.

Tubarão
Mobilização no curso de jornalismo da Unisul, discussão sobre a questão em sala de aula e movimentação na Câmara Municipal.
LUTA PELO SANEAMENTO
Avaliações e perspectivas

Detalhe do manguezal de Ratones. Foto: J. L. Cibils.

Por Ruy Ávila Wolff (agrônomo e maricultor)
e Ci Ribeiro (arquiteto e urbanista)

"O processo desencadeado de mobilizações populares, audiências públicas e articulações políticas entre pesca, maricultura, associações comunitárias e o Plano Diretor, por saneamento em Florianópolis, nos dá cada vez mais a certeza de que esta é uma questão fundamental para o futuro de Florianópolis, no que tange o seu modelo de desenvolvimento econômico, cultural e sócio ambiental.

As atuais contradições e debilidades apresentadas pelos planejadores, projetos e nos pareceres técnicos, feitos e contratados pela Casan e Prefeitura, e inclusive as respostas e posicionamentos inseguros dos órgãos ambientais, diante de nossos questionamentos, a luz da legislação federal, nos dão ainda mais a certeza de que em hipótese algumas seremos coniventes com qualquer leitura, projeto e obra pública e privada, que estabeleça uma relação com as baías Sul e Norte da Região Metropolitana de Florianópolis e dos rios que compõem a bacia hidrográfica da região que deságua nas baías, como os rios dos manguesais da Ilha e do Continente, os rios Cubatão, Aririú e o Biguaçu, como se estes pudessem ser classificados como CORPOS RECEPTORES, diretos e indiretos, dos resíduos das estações de tratamento de esgoto, públicas e privadas, e/ou como área de escape emergencial dos sistemas de tratamentos, em casos de emergência e saturação, como vem acontecendo e/ou previsto com a Estação do Aterro da Baia Sul e do Cacupé. Estas preocupações também se estendem para a construção de ETEs em áreas de manguesais e de reserva ambiental.

As baías Sul e Norte, nossos mangues, por suas estruturas físicas, morfológicas e topográficas, localização, as correntes marinhas e as correntes atmosféricas, e por sua forte relação com a cultura e economia local, jamais poderão ser objetos de planejamento e gestão pública irresponsável com as gerações passadas presentes e futuras. Alem do papel de destaque que cumpre na produção de 70% da maricultura nacional de mariscos e ostras, é aqui principalmente neste território costeiro entre mares, que reside um dos mais importantes vínculos de resistência contra a espoliação e segregação urbana e à exploração imobiliária, à fome e à baixa oferta de trabalho e renda para as populações tradicionais. Só por isso acima, deveria cumprir um papel de destaque para as estruturas e políticas públicas da região.

Ci Ribeiro. Audiência pública
na Barra do Sambaqui (27.2.2009).


Com a compreensão acima, mesmo que de forma difusa entre as lideranças e entidades, percebemos que as manifestações populares organizadas através do movimento 'Esgoto no Mangue e nas Baías Não' estão levando a Prefeitura Municipal e a Casan a repensarem os locais de lançamento de efluentes das estações de tratamento de esgotos (ETEs) para o interior das baías. Na reunião do Conselho Municipal de Saneamento Básico ocorrida no dia 26 de março, o diretor de Operações da Casan Sr. Cezar de Luca apresentou intenções de alterações significativas à proposta inicial da empresa de lançar os efluentes das ETEs nas baías Norte e Sul. As pressões estão conduzindo a Prefeitura e a Casan a se renderem aos fatos: não havia um projeto nem licenças ambientais para as obras já iniciadas e o lançamento de efluentes das ETEs para o interior das baías iria comprometer a qualidade de suas águas.

Mesmo assim, nos parece que eles estão mudando de posição por medo de perderem os recursos do PAC, pois existiam, segundo o diretor da Casan, dificuldades criadas por entidades federais que negaram ou suspenderam licenças ambientais concedidas pela Fatma, alem da falta de consenso com as comunidades sobre a localização das ETES.

O fato é que em nenhum momento a Casan apresentou um projeto, minimamente detalhado. No tocante aos aspectos legais, a Casan jamais fez menção aos estudos de impactos ambientais destas obras já iniciadas em várias localidades. Nunca se ouviu falar da outorga das águas para o lançamento de efluentes nos rios ou no mar, assim como da anuência da Reserva Extrativista Marinha do Pirajubaé ou da Estação Ecológica de Carijós. Portanto a tentativa de realizar estas obras estava totalmente ilegal, sem amparo da lei.

Este sempre foi nosso principal argumento e que nos levou a contar no dia 20 de março com declarações de apoio do ministro Gregolin da Pesca, da senadora Ideli e de Américo Tunes do Ibama. Por força destes motivos e das pressões, inicialmente das comunidades do Ribeirão da Ilha e a da Barra do Sambaqui, está difícil que entidades federais aprovem as licenças ambientais. Isso é o que está pesando nos acenos de intenções de mudança na proposta anterior da Prefeitura e Casan, especialmente no que diz respeito ao lançamento dos efluentes para mar aberto.

Isto é uma vitória, ainda que parcial, pois finalmente a Prefeitura e a Casan começam a reconhecer os impactos negativos destas obras sobre a qualidade das águas das baías e sinalizam que irão redirecionar os emissários submarinos para disposição oceânica nas praias dos Ingleses e do Campeche.

A questão legal da licença ambiental, anuência da Resex e da Estação de Carijós e a outorga de água continua sem solução. Sabemos que estudos de impactos ambientais de obras deste porte não são realizados em 15 dias. Portanto persiste ainda a falta de um projeto escrito com detalhamento suficiente que permita uma avaliação mais clara das áreas e populações que serão atendidas prioritariamente. As áreas onde foram suprimidas as ETEs terão atendimento reduzido inicialmente.

Apesar das intenções de mudanças significativas alterando os locais de lançamento dos efluentes das ETEs, os procedimentos da Prefeitura e da Casan continuam os mesmos: uma proposta sem ampla discussão nas comunidades atingidas e na cidade como um todo. As comunidades querem saber como, onde e a qualidade dos equipamentos a serem instalados, a eficiência dos tratamentos, o tipo de resíduo gerado, a extensão dos emissários, os riscos dos resíduos retornarem às praias, as localidades que serão atendidas inicialmente pelas redes de coleta de esgotos entre outras informações...

A nova lei de saneamento aprovada em 2007 (Lei n° 11.445) está baseada em princípios dos quais destacamos:
I -universalização do acesso;
III- abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos realizados de formas adequadas à saúde pública e à proteção do meio ambiente;
VI - articulação com as políticas de desenvolvimento urbano e regional, de habitação, de combate à pobreza e de sua erradicação, de proteção ambiental, de promoção da saúde e outras de relevante interesse social voltadas para a melhoria da qualidade de vida, para as quais o saneamento básico seja fator determinante;
X - controle social;

Por sua vez também, o capitulo X desta lei, referente à Política Federal de Saneamento Básico enfatisa a necessidade de:
IV - utilização de indicadores epidemiológicos e de desenvolvimento social no planejamento, implementação e avaliação das suas ações de saneamento básico;
IX - adoção de critérios objetivos de elegibilidade e prioridade, levando em consideração fatores como nível de renda e cobertura, grau de urbanização, concentração populacional, disponibilidade hídrica, riscos sanitários, epidemiológicos e ambientais;

Neste sentido, será imprescindível aprofundar o debate com as comunidades sobre estes aspectos, pois os aspectos sociais e ambientais são os que mais atingem as populações. Até aqui os projetos da Prefeitura e da Casan buscam atender muito mais as demandas existentes e programadas do setor especulativo imobiliário da construção civil, que aguardam a instalação do sistema de saneamento para viabilizar a venda de lotes nos condomínios existentes e a construção de novos imóveis, bem como a aprovação de novos loteamentos, como é o caso da região que fica entre a Tapera e o Trevo do Erasmo/Campeche e também na região norte onde procura dar sustentação aos projetos do Sapiens Park e entorno.

Rui Wolff. Audiência pública
na Barra do Sambaqui (27.2.2009).

É sabido que hoje, por falta de saneamento em Florianópolis, a Prefeitura em conluio com a Fatma e Casan utilizan-se da Floram para expedir Licenças Prévias/Provisórias, em desacordo com a lei, para viabilizar ETEs e liberação de projetos e empreendimentos imobiliários, como a ETE de João Paulo, onde o emissário mal projetado (sem falar do lançamento na Baía Norte) faz com que as marés façam refluxos diários dos efluentes para o mangue da Reserva de Carijós. Outro caso gritante diz respeito ao licenciamento feito de sistemas de tratamentos precários de esgoto de condomínios, como é um caso no Rio Vermelho, onde o sistema de ETE, consiste em: fossa, filtro e sumidouro, como se fossem sistemas isolados residenciais.

Por isso, como preconiza o Estatuto da Cidade e as legislações federais voltadas as políticas públicas urbanas, de saneamento e meio ambiente, estamos exigindo que os projetos em discussão corram em paralelo com as demandas do novo Plano Diretor em discussão, e em conjunto com a elaboração do Plano Municipal de Saneamento que foi “contratado” pela prefeitura. Porém neste contexto geral municipal, mesmo que estas questões estejam contempladas, e com controle social, entendemos que não teremos ainda a médio e longo prazo garantias de que nossas praias e produção de mariscos, ostras, vieiras e pescados estarão de acordo com os padrões exigidos de saúde pública, visto que nossas baías Sul e Norte, recebem todos os efluentes dos mananciais hídricos dos municípios vizinhos, que utilizam os rios como corpo receptor de esgoto tratados e in natura. Por isso exigimos ações integradas na região. No mínimo devemos tratar esta questão como política pública única para os municípios de Governador Celso Ramos, Biguaçu, São Jose, São Pedro de Alcantara, Palhoça e Florianópolis. O ideal será tratar a questão no contexto geografico/hidrico das microbacias regionais.

Assim sendo se a idéia nossa, de proteger as baias de lançamentos de efluentes e dejetos sanitários, foi de fato assimilada pela Prefeitura e Casan, então devemos cobrar para que as exigências socio ambientais, RIMA, EIA e EIV, sejam redirecionadas aos novos projetos de ETEs, suas localizações e as questões dos emissários submarinos em mar aberto, alem de rever/integrar todas as demais ETEs já existentes em Florianópolis, inclusive a de Potécas, e tratar a questão do saneamento no marco dos planejamentos municipais e regional integrado.

Para estabelecer canais de controle social, estamos propondo que se realize urgentemente uma AUDIENCIA PÙBLICA MUNICIPAL, e também um SEMINARIO REGIONAL DE SANEAMENTO, unindo as esferas institucionais municipais/estadual/federal e os setores representantes da sociedade local, pois este será o pólo de definição de diretrizes políticas para o saneamento regional, alem do que dará a devida repercussão política para busca de recursos e projetos de acordo com a demanda real, e pelo papel que a região representa tanto no cenário local como estadual e nacional para as políticas de turismo, maricultura e pesca.

Enquanto isso, alem da solicitação de audiência com o Ministério das Cidades e Casa Civil, tambem estamos marcando audiência com os lideres da bancada federal catarinense, para que eles assumam o tema junto as políticas públicas federais e na elaboração do orçamento/financiamento público para o orçamento de 2010.

Por isso tudo, agora mais do que nunca, devemos estar presente na próxima audiência publica do Ribeirão no dia 02 de abril de 2009, pois lá estaremos iniciando uma nova caminhada, pensando a cidade e região como um todo, alem de tudo o que até aqui já pautamos".

Florianópolis, 30 de março de 2009

COLETIVO OPERANTE
Quarta, 1º abril, 12h30, na UFSC


Dia 1º de abril, 12h30, na concha acústica da UFSC, show da banda Coletivo Operante, gratuito e aberto ao público (Projeto 12:30). Formada por Caio Cezar (voz e guitarra), Guilherme Ledoux (bateria), Luiz Maia (baixo e voz) e Ulysses Dutra (guitarra).

Desde 2007 os músicos participam do CLUBE DA LUTA, evento que promove a música autoral em Santa Catarina, onde tem se apresentado regularmente. A banda retorna aos palcos da UFSC com um novo show no qual, a partir do rock, abraçam os ritmos caribenhos do reggae e do ska, do funk e do samba em canções melodiosas e dançantes, “daquelas que a gente volta pra casa assoviando”, dizem os integrantes do grupo. O repertório inclui, além de suas composições, versões que a banda fez para alguns clássicos do pop como “Eu Bebo Sim”, “Lively Up Yourself” e “Ela”.

A banda prepara o lançamento do single "O nome do DJ", disponível a partir de sábado (4.4) no Myspace da banda, onde é possível conferir a produção dos rapazes.


30 de mar de 2009

As novidades anunciadas pela Casan


Texto encaminhado ao Sambaqui na rede por Ralf Wagner, membro do Conselho Municipal de Saneamento e residente na Barra do Sambaqui.

"INFORME
Mudança de paradigma

TRATAMENTO DE ESGOTO - Ontem e Hoje

Quinta (26.3), reunião do Conselho Municipal de Saneamento, na sede regional da Casan (Estreito), às 16 horas. Presentes todos os membro do conselho. O Sr. Cezar de Luca apresentou o projeto original para tratamento de esgoto de Santo Antônio de Lisboa. Após isso ele argumentou que aconteceram mudanças por quatro motivos.

1 - Os órgão ambientais que já haviam aprovado o projeto recuaram argumentando a ineficiência do mesmo.

2 - A população não aceitou o projeto entendendo que poluiria o meio ambiente.

3 - O lugar não é adequado.

4 - Para proteger as baías Norte e Sul de poluentes e desenvolvendo um projeto no Continente, todo o esgoto gerado e pré tratado para enviado alto mar.

Solução apresentada:

Serão feitos três emissários: Ingleses, Campeche e Lagoa de Conceição. A rede começará no distrito de Santo Antônio, depois João Paulo, Saco Grande, Centro, Ribeirão da Ilha e levará o esgoto bruto até o Campeche onde será feito um pré tratamento e enviado via emissário submarino para alto mar.

O EIA RIMA já se encontra nas mão da Fatma para aprovação, após isso será feita uma audiência pública, sem local definido".
Casan apresenta projeto
global de saneamento

Instalação dos moradores da Barra do Sambaqui.

A Casan confirmou aos integrantes do Conselho Municipal de Saneamento, durante reunião na semana passada, o que já tinha revelado aos moradores de Sambaqui e Barra de Sambaqui: a empresa está disposta a abandonar as baías de Florianópolis como corpos receptores de efluentes das estações de tratamento de esgoto, optando pelo lançamento dos dejetos em alto mar através de emissários submarinos.

Segundo o conselheiro Rui Wolff, durante a reunião "a Casan apresentou um projeto de saneamento global para a Ilha. Para nossa surpresa, foram feitas grandes alterações nos projetos locais. Eles reconheceram que não poderiam lançar efluentes para dentro das baías. Estão inclusive pensando em soluções para o continente", explica. Os emissários serão lançados no Campeche e em Ingleses. "O novo projeto é melhor, integra as redes locais de coleta com ETEs e destinação final de efluentes de maneira a evitar o lançamento para dentro da baías", complementa Wolff.

A empresa também anunciou que contratou a elaboração de Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) e estudos das correntes oceânicas na região da Ilha de Santa Catarina. Na assembléia geral extraordinária do Conselho Comunitário da Barra do Sambaqui (CCBS), amanhã (terça, 31.3), serão apresentadas outras informações sobre a reunião do Conselho Municipal do Saneamento.

Existem algumas dúvidas que precisam ser esclarecidas, como a da localização das ETEs em quatro manguezais da Ilha: Saco Grande (já construída, em operação, com lançamento dos efluentes na Baía Norte), Ratones (Barra do Sambaqui ou Veríssimo), Tapera e Rio Tavares.
Outra dúvida é sobre a abrangência do serviço no distrito de Santo Antônio de Lisboa. A Barra do Sambaqui está fora (até agora) da coleta, assim como a maioria dos moradores das ruas transversais de Sambaqui.

Moradores da Barra de Sambaqui e Sambaqui que participaram da
audiência pública da Câmara Municipal no dia 27 de fevereiro
último, ainda aguardam informações oficiais da Prefeitura e Casan.



CCPontal ganha nova diretoria

A nova diretoria do Conselho Comunitário do Pontal de Jurerê (CC Pontal) para o biênio 2009/2011, toma posse nessa terça-feira (31.3), às 19 horas na sede da entidade (avenida das Palmeiras, 566). Na ocasião também serão empossados os membros do conselho fiscal. Diretora Executiva: Heloisa Helena Wagner da Silva (presidente), Paulo César Queiroz (vice), Nelson Pirath (diretor administrativo), Almício Lino Thisen (diretor financeiro), Kátia Maria Vieira (diretora comunitária), Therezinha Muller Seleme (diretora do meio ambiente) e Munira Terezinha Seleme (diretora secretária). Conselho Fiscal: Efetivos: Vânio Righetto, Carlos Antônio F. de Oliveira e Vilmar Tasca. Suplentes: Sonia Regina Damasco, Elisabeth Venera e Honorato Tomelin


Fórum do Rio Ratones adia eleição

Devido a falta de consenso em torno do nome do novo presidente, a assembléia geral do Fórum do Rio Ratones realizada no último dia 25, não elegeu a diretoria executiva e o conselho fiscal e deixou de homologar o conselho deliberativo. Na ocasião foi escolhida uma comissão encarregada de organizar a nova diretoria, integrada por Jorge Busato, Percy Ney Silva e Munira Seleme. Atribuições da comissão: 1) Convocar os presidentes das associações para participarem da assembléia geral; 2) Encaminhar o estatuto social para alterações pontuais; 3) Elaborar a chapa para nova diretoria da gestão 2009/2010. Próxima reunião no próximo dia 22 de abril.
...
30 de março
Dia da Terra Palestina



Data escolhida pelo Fórum Social Mundial (Belém, janeiro de 2009) para homenagear a resistência dos palestinos e respaldar seu direto ao Estado da Palestina.

A data será marcada em Florianópolis por um Ato Político, às 19 horas, no Museu da Escola Catarinense (antiga FAED), na rua Saldanha Marinho, 196 (Centro).

Filme Paradise Now. Direção de Hany Abu-Assad. 90 min. Co-produção Alemanha, França, Holanda, Israel. 2005. Debate com a participação do professor Paulo Pinheiro Machado (História -UFSC), Khader Othman (Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino) e Fauzi El Mashini (ex-embaixador da Palestina no México).

Haverá banca com livros, camisetas e hattah.

Promoção - Cine Arth Cinema & Humanidade (Udesc) e Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino.

29 de mar de 2009

REFLEXÕES DE UM PESCADOR NATIVO


Poema de Célio Marciano, 2009

Certo dia estava em casa e escutei alguém dizer,
lá perto do Deca Deca vai sair uma ETE.

Essa coisa de ETE, dizem ser extraterrestre,
como podem colocar naquele campo celeste.

Mas logo mudei de idéia, e comecei a pensar,
isso é o tal de esgoto, que no rio vão colocar.

Chamei a Mariazinha, para nós dois conversar,
esse esgoto é bem tratado, tem que ir para alto mar.

Tratei de chamar o Deca, vamos nos mobilizar,
nós que somos do conselho, não vamos os braços cruzar.

Tem um movimento na Barra, do esgoto no mangue não,
vamos nos juntar a eles, para tomar uma solução.

Eles são os pioneiros, nós também vamos lutar,
unindo a comunidade, vamos juntos trabalhar.

Meu pai tem 90 anos, quando soube se irritou,
meu Deus vão matar o rio, que muita fome matou.

Eu também estou muito triste, até com muita razão,
pois com a morte do rio, também morre o camarão.

Vai morrer muitos crustáceos, vão ter fim muitas desovas,
depois de matarem tudo, nunca mais nada renova.

Meu Deus se tudo morrer, também vão matar o mangue,
como vou dizer aos meus netos, que já comi lambe-lambe.

Ostras também vão morrer, as aves vão se emigrar,
com a morte dos peixinhos, elas não vão ter o que caçar.

Os jacarés vão sumir, as lontras do mesmo jeito,
como dizer no futuro que esse rio já foi perfeito.

Se matar nossa baía, isso aqui vira um abismo,
matando a maricultura fracassa o nosso turismo.

Meus netos me cobrarão, quando um dia vierem a crescer,
o senhor tem certa culpa, pois deixou o rio morrer.


Célio, nascido e criado na Barra do Sambaqui (Florianópolis-SC).

28 de mar de 2009

Imagens da passeata no Pontal
Sábado, 28 de março de 2009







É hoje a passeata no Pontal


Trechos de reflexões, enviadas ao
Sambaqui na rede, com base nas informações surgidas na audiência pública da Câmara de Vereadores na Barra do Sambaqui, no dia 27 de fevereiro último.

"[...] Considerando que baías não são locais adequados para o lançamento de efluentes (ainda que tratados), considerando que sempre sobrarão resíduos não tratados, considerando que eventualmente ocorrem “acidentais” despejos de esgotos sem tratamento pela CASAN, considerando que o local escolhido para esta estação de tratamento de esgotos é absolutamente inapropriado, pois está a poucos metros de um rio afluente do Rio Ratones, considerando que o local escolhido para o despejo de resíduos não possui profundidade, correntes marítimas e distância da costa suficientes, estas obras públicas (estação de tratamento e emissário) determinarão:

- a destruição do equilíbrio ambiental do Manguezal do Rio Ratones;

- o fim da maricultura local;

- a perda permanente da balneariabilidade das praias vizinhas (Daniela, Forte, Jurerê Internacional, Jurerê, Sambaqui, Santo Antônio e Cacupé),

- a troca do fundo arenoso de algumas praias por lodo,

- a desvalorização acentuada dos imóveis; e

- a redução significativa do turismo local.

É importante salientar que, após esta audiência pública, diferentemente do que acontecia nos meses anteriores, as lideranças comunitárias ligadas ao movimento de oposição a estas obras públicas têm sido recebidas com maior respeito pela CASAN e PMF. Inclusive, ocorreu uma audiência com o Secretario Nacional da Pesca. Contudo, até o presente momento, o projeto elaborado em 2004 ainda não foi alterado. Diferentemente do que se previa na ocasião da assinatura da Ordem de Serviços (dia 14 de janeiro de 2009), quando houve o repasse de recursos do PAC pela PMF à CASAN de R$ 11,398 milhões, o início das obras não ocorreu logo após o Carnaval, contudo, não há absolutamente nenhum sinal de modificação do local da ETE e do emissário.

Aliás, é também bom destacar que a mobilização também reivindica que não sejam iniciadas as obras desta Estação de Tratamento de Esgotos sem definir o local de despejo dos resíduos não tratados. Trata-se de um único projeto. Esta reivindicação coaduna com o interesse de que recursos públicos não sejam gastos desnecessariamente.

Lógico que todos são favoráveis à existência de obras de saneamento básico, mas elas devem representar uma melhoria para a população. Ocorre que, estas obras públicas vão causar prejuízos que superaram muito os seus benefícios. É ridículo aceitar que o melhor que a Prefeitura Municipal de Florianópolis e a CASAN podem nos oferecer é a destruição do Manguezal do Rio Ratones e das praias localizadas na Baía Norte.

Contudo, a comunidade da Praia do Pontal de Jurerê (do mesmo modo que a Comunidade da Barra do Sambaqui, entre outras) acredita que é possível reverter este processo de destruição com mobilização política apartidária intensa.

Com a participação maciça da população esta comunidade acredita que possa convencer a Prefeitura Municipal e a CASAN a alterar o projeto atual (Relatório Técnico Preliminar elaborado pela empresa Socioambiental Consultores Ltda. em dezembro de 2004) e a elaborar um outro, que seja ambientalmente responsável, ainda que mais custoso.

Assim, vários moradores, veranistas, pescadores, empresários e líderes comunitários da região da Praia do Pontal de Jurerê (Praia da Daniela) e das localidades vizinhas realizarão uma passeata/carreata no dia 28 de março de 2009, sábado, às 14 horas, em frente ao Conselho Comunitário do Pontal de Jurerê, localizado na Avenida das Palmeiras, nº 566.

A presença de todos é importante".

Conselho Comunitário do Pontal de Jurerê


Mobilização no Sul da Ilha
2 de abril, quinta, 19 horas

A comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal de Florianópolis realiza no próximo dia 2 de abril, quinta-feira, mais uma audiência pública para tratar do problema do saneamento em Florianópolis. Por solicitação do vereador Márcio de Souza (requerimento nº 099/2009), a audiência acontece no Centro Social Urbano da Freguesia do Ribeirão, em frente a Escola Básica Dom Jaime Câmara, à partir das 19 horas.

27 de mar de 2009

Formandos dos cursos
de tear são diplomados
Solenidade acaba de acontecer na sede da ABS

Entrega dos certificados. Sambaqui, 27.3.2009.


DIPLOMADOS

Tear Manual Básico e Tecelagem de Roupas

- Bertolina Machado Ferreira
- Cinira Salaar de Arruda
- Daisy de Souza Magini
- Jane Maria Veiga
- Maria Emilia Arroio


Tear Manual Básico

- Cirene Maria P. da Costa
- Elena Del Valle Chavez
- Eliza da Cruz Russi
- Ines Maria Bernal
- Isabel Augusta Kahler Caro
- Janete Olimpia Verges Maingué
- Josemara Sudex da Silva
- Luana do Nascimento Garcia
- Lucélia Balza
- Maria de Lourdes Branco Sardá
- Maria Helena Silva Rodrigues
- Michaela Ponzoni Accorsi
- Valéria Blanco Garcia Colturato


Tecelagem de Roupas

- Iara Regina de Lima
- Regina Maria Di Marcantonio O. Sousa






QUE CONVERSA É ESSA?


Por Olsen Jr.

Há dias tem umas imagens roendo o meu cérebro. Aconteceram três dias atrás. Acordei no meio da madrugada, chovia pra cacete e com todo o respeito pela natureza, não estava mais agüentando aquelas goteiras ao redor da minha cama. Mas o que me havia despertado não fora a chuva, e sim um texto. É isso mesmo um texto que eu acabara de ler. Fazia muito tempo que algo escrito não me impressionava tanto. Era um texto curto e estava entre outros dois em uma coluna cercada de um jornal tablóide, o conjunto dos três ocupava apenas meia página. Explico:

Uma mulher vestida de calça e jaqueta jeans estava sentada ao meu lado. Não consigo distinguir o rosto, mas como ninguém sonha com o que não conhece, ela lembrava alguém que andou lá na editora Paralelo 27 no início dos anos 1990. Na verdade isso não tem a menor importância a não ser pelo que se verá. Ela pôs o jornal em minhas mãos e pediu para eu ler. Interessante, na medida em que ia lendo, o meu corpo ia inclinando-se para frente. Descartei logo o texto da esquerda; o da direita parecia uma fotografia de algo escrito numa página pautada de um caderno escolar, de leitura difícil, teria que usar uma lupa ou então ampliá-lo, não perdi tempo, e finalmente, o texto que me impressionara. Li cada parágrafo extasiado, mais de uma vez... Ao redor havia uma confusão, tiros e muitas pessoas gritando e falando ao mesmo tempo, eu queria pedir para que parassem com aquilo, mas não dava. Começava a ler o texto, todas as vezes que terminava de ler um parágrafo, voltava para ler o anterior senão não havia continuidade na leitura. Depois de certo tempo, já com o tronco em 45º me apoiei com a mão direita na perna da mulher, ela tirou delicadamente a minha mão de sua coxa e pedi desculpas. Depois me dei conta do gesto, pensei, mas será que ela não percebe que estou caindo, foi quando ela me chamou atenção para a camisa, estava virada do avesso e estendida à minha esquerda, disse “que cor azul bonita”, deixei o jornal de lado e este também pareceu estar invertido, como se o papel fosse transparente e o texto que eu tanto apreciara estivesse impresso no verso, mas dava para percebê-lo assim mesmo. Comento que aquela camisa é uma La Coste, está mais para um cinza escuro que para o azul. Ela me olha surpresa. Digo, sei por que tem um jacaré ali no lado do coração, tenho uma igual, aliás, não sei se não é a minha que está se aposentando, está surradinha a coitada.

Aí queria resgatar o texto. Não ia ficar sem aquele texto, já era uma obsessão. Pensei em escaneá-lo e depois era só clicar ali e o texto apareceria. Fiz tudo como planejei, no primeiro clic apareceu um ideograma chinês. Estranho, pensei, cliquei novamente e apareceu outro ideograma, diferente do primeiro. Repeti a operação e então, sim, o texto apareceu integralmente, bonito, apenas estava estendido, quase na horizontal com os meus olhos, não dava para lê-lo, toquei na folha do jornal e as letras começaram a se juntar lentamente numa coreografia de danados... Estava pensando em Augusto dos Anjos quando acordei.

Preciso por esse texto no papel, pensei, mas na exata medida em que estava racionalizando as idéias o texto também ia desaparecendo. Tornei a dormir como se não tivesse acontecido nada, talvez voltasse para o mesmo sonho, já acontecera antes, mas qual nada.

Agora, caro leitor, lembrei do Woody Allen quando afirmou “Fiz um curso de leitura dinâmica e li “Guerra e Paz” em vinte minutos. Têm a ver com a Rússia”.

Sim porque se me perguntarem sobre esse texto que li, que me deixou assombrado, melhor, extasiado, a ponto de ter de escrever sobre ele, mesmo que ele pareça nunca ter existido, se insistirem, direi: “tinha a ver com a vida”!


AVISO

Os certificados de conclusão dos cursos de tear desenvolvidos na ABS serão entregues hoje (sexta, 27.3), às 20 horas, durante solenidade do anexo do Casarão da Ponta do Sambaqui (rodovia Rafael da Rocha Pires, 3000).

26 de mar de 2009

NOTAS SOBRE SANEAMENTO
e outros assuntos de interesse

Passeata no Pontal



Festa na Barra

O Conselho Comunitário da Barra do Sambaqui e o movimento Esgoto no Mangue, Não!, organizam uma festa para o dia 25 de abril (sábado). Risoto de frutos de mar e lambe-lambe tradicional são os pratos previstos.


Audiência no Ribeirão

Os moradores do Ribeirão da Ilha e região também estão mobilizados. No próximo dia 2 de abril, às 19 horas, no Centro Social Urbano da Freguesia, acontece uma audiência pública da Câmara de Vereadores, com o apoio do Núcleo Gestor Participativo local. O anúncio da Casan de construção de uma ETE no manguezal da Tapera, deixou as comunidades preocupadas com a possível contaminação das águas da Baía Sul, onde se localizam grandes áreas de cultivo de moluscos. Com o slogan "Saneamente básico sim - Impactos não", os moradores rejeitam a ETE no local anunciado e não querem emissários lançando dejetos na baía.


Seminário de Saneamento

Começa a ser amadurecida a idéia de realização de um seminário sobre saneamento em Florianópolis, envolvendo os moradores dos municípios da região, autoridades, entidades e técnicos.


Tear: entrega de certificados

Os certificados de conclusão dos cursos de tear desenvolvidos na ABS serão entregues amanhã (27.3, sexta-feira), durante solenidade do anexo do Casarão da Ponta do Sambaqui (rodovia Rafael da Rocha Pires, 3000).


Apelo do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina

"Estudante, Professor, você que é jornalista, venha defender sua profissão!!!

Você está sabendo que no dia 1º de abril pode ser julgada a exigência do diploma em Jornalismo como requisito para o exercício da profissão?

Se ainda não sabia disso, vá se mexer, reclame, se manifeste nas escolas, faça vigília, invente qualquer coisa para chamar a atenção sobre a possibilidade de tirarem de nós o nosso direito, de sermos jornalistas regulamentados.

Por quê falamos tudo isso?

Porque o Recurso Extraordinário 511961, que questiona a constitucionalidade da exigência do diploma em Jornalismo como requisito para o exercício da profissão, pode entrar na pauta do Supremo Tribunal Federal (STF) em 1º de abril, na sessão que começa às 14h.

Nesse sentido, o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, que vem desenvolve ações contínuas em defesa da profissão, convoca os profissionais, coordenadores dos 14 cursos existentes em Santa Catarina e estudantes a se manifestarem em defesa da obrigatoriedade de formação superior específica para o exercício da profissão.

Você que é jornalista saia em defesa da sua profissão e você que é estudante se mexa no dia 1º de abril, vá para a rua, faça vigília, proteste fora da sala de aula.

Profissionais e Estudantes, defendam a profissão!!!"

25 de mar de 2009

O grande educador
Por Amílcar Neves




Foi numa fila de supermercado que os olhos - ambos os dois olhos - de Manoel Osório deram com a figura esguia, impávida e altaneira que aguardava atendimento do caixa preferencial. Sim, seus dois olhos, simultâneos, posto ser peculiar de Manoel Osório ver algo ou alguém de forma direta - com um dos olhos - enquanto o outro esquadrinha, distraído, paisagens talvez mais interessantes e convidativas.

Ele estava lá, aquele esbelto senhor, ou melhor, estava ali, bem pertinho, com o perfil característico dos seus: óculos escuros (em um ambiente fechado), barriga impecável (ou seja: ausente, substituída por músculos ainda bem definidos apesar da idade), chinelos confortáveis - mas nunca, jamais, um par de sandálias de dedo -, um ar soturno de quem não nunca jamais brincou em serviço - nem fora de serviço, pois quem serve à Pátria não se distrai jamais -, com sua mulher, subserviente e obediente, vestida com o recato que convém, cuidando exclusivamente dos pacotes.

Chegou ao caixa com um carrinho de supermercado cheio até quase caírem coisas dele. Outras pessoas e muitos outros carrinhos espalhavam-se pelas cercanias: as pessoas em fila, os carrinhos nem um pouco.

Ao momento de ser atendido, uma velhinha com três comprinhas na mão pediu o favor de uma prioridade. O homem negou e, imperativo, declarou: "A vez é minha".

Após toda a carga do homem encontrar-se na esteira do caixa, e depois que metade daquele rancho já havia sido registrada, a mulher que o seguia na fila começou a depositar no espaço vazio da esteira as compras do seu carro. Ele de olho. A mulher completou o serviço, ele sempre de olho. Então, quase ao final da sua passagem pelo caixa, ele empurrou a mulher para o lado e trouxe de perto um segundo carrinho lotado, afastou para trás as coisas dela e começou a descarregá-lo. Informou, em tom seco, metálico, impessoal: "Este também é meu". A mulher ferveu, corou e calou-se.

Curioso, talvez indignado - ou não (provavelmente não, pois o assunto não tinha a ver com ele) -, Manoel Osório puxou conversa com o homem de bermuda marrom, camisa polo preta, boné verde-oliva e óculos escuros. Que lhe disse:

- Tenho mais três carrinhos cheios aí pelos lados. Minha vida sempre foi educar paisanos. Nos bons tempos, eu era conhecido como "o grande torturador" - e virou-lhe as costas, fechando-lhe os ouvidos. Ambos os dois ouvidos.


Amilcar Neves, escritor. Crônica publicada na edição de hoje (25.3.2009) do jornal Diário Catarinense (Florianópolis-SC). A ilustração sobre foto de Cassandra Lima do Monumento Tortura Nunca Mais (Recife).



A arte da fotografia por Adriane Füchter

Moradores do Pontal estão mobilizados

Foto: Munira Seleme (CCPontal)

24 de mar de 2009

Assembléia, eleição, passeata e uma dica


HOJE

A comunidade da Barra do Sambaqui continua em alerta e realiza nessa terça-feira (24.3) mais uma assembléia geral extraordinária no salão paroquial da Capela de São Sebastião, à partir das 20 horas.

Motivos para estar presente

* Ainda não está confirmada a ampliação da rede de coleta para atender os moradores da Barra.

*
A Prefeitura e a Casan ainda não disseram com todas as letras que a ETE não vai ser mais construída no local.

* O manguezal de Ratones e a Baía Norte não foram oficialmente descartados como locais de instalação de uma ETE e emissário submarino.

* Nem a conversa com o ministro da SEAP, Altemir Gregolin, rendeu frutos concretos até agora.

A pressão exercida pela comunidade e a força do movimento estão levando as autoridades a dar declarações, realizar reuniões e chamar para conversas, mas no fundo esperam um momento de vacilo para executar o planejado - sem estudos técnicos, sem projeto global do sistema e sem licença ambiental, com algum aval da Fatma e o comportamento de avestruz do Ibama.


AMANHÃ

O Fórum Permanente das Associações Comunitárias da Bacia do Rio Ratones realiza uma assembléia geral extraordinária amanhã (quarta, 25.3), visando a eleição e posse dos novos membros dos conselhos Deliberativo e Fiscal e da diretoria executiva da entidade. O Edital de convocação da assembléia do último dia 1º, foi assinado pela atual presidente, Maria Isavel Prates Carpeggiani e a secretária de comunicação do Fórum, Munira Seleme. A assembléia começa às 19 horas e acontece no auditório da sede do Conselho Comunitário Pontal do Jurerê - CCPontal, localizada à Avenida das Palmeiras n° 566, no Pontal do Jurerê (Daniela).


SÁBADO



DICA - Vozes das sombras


"Voces desde los sitios ocultos", publicada na edição de hoje (24.3.2009) da revista eletrônica Rebelión, nos remete a um universo subterrâneo de todos os tipos imagináveis e inimagináveis de torturas, seqüestros, chantagens, prisões ilegais e clandestinas, assassinatos... Tudo Made in EUA, na esteira do pós-11 de Setembro. Escrito pelo jornalista Mark Danner, teve como ponto de partida um "Informe del Comité Internacional de la Cruz Roja" sobre el tratamento dispensado a 14 “detenidos de alto valor” pela CIA (47 páginas, fevereiro de 2007). O texto original foi publicado no The New York Review of Books e traduzido do inglês para a revista Rebelión por Sinfo Fernández, S. Seguí e Germán Leyens com revisão de Caty R. Um retrato das mazelas contemporâneas. A ilustração acima é de Matt Groller, publicada originalmente na versão eletrônica da revista Rolling Stones.

"Dinheiro fácil", a crônica de Amílcar Neves


Gilson começou a perguntar aos colegas se alguém havia visto um pequeno pacote verde que ele trouxera, contendo uma caneta esferográfica de gel (com tinta em estado gelatinoso e, portanto, muito mais suave e eficiente do que as esferográficas comuns e baratas, que usam essas tintas que chegam a escorrer da ponta metálica e mancham de não sair mais da roupa ou borram vergonhosamente o papel sobre o qual se escreve) e outros materiais de trabalho. Ninguém sabia do paradeiro da coisa. As meninas lembravam de tê-lo visto chegar com o pacote, que lhes chamou a atenção por causa do endereço de shopping que estava impresso na embalagem, mas não tinham qualquer ideia de onde ele teria ido parar. Com os rapazes, o resultado de suas indagações foi ainda pior: ninguém havia reparado nele, Gilson, quando chegou nem em qualquer coisa singular que ele pudesse carregar consigo.

Menos Marcelo. Que, distraído, não percebera a movimentação provocada por Gilson, a agitação que ele começava a levantar, a inquietação crescente e aflita do companheiro. Inquirido, Marcelo retornou à realidade imediata e, de forma absolutamente casual, comentou que achava, sim, que sabia de alguém que teria notícias do pequeno pacote de plástico verde.

- E onde está o pacote? - Gilson quer saber. - Preciso dele agora.

- Mas eu não sei onde ele está, eu acho. O que parece é que eu sei de alguém que sabe dele.

- Quem é que sabe dele?

- Não é tão fácil assim de responder a esta pergunta. Imagina que podem ter pedido para mim para eu guardar segredo. E quando alguém pede segredo, a gente tem que respeitar, não é mesmo?

- É, talvez seja. Mas preciso do meu pacote. E, além disso, ele é meu.

- Fácil, meu amigo. Ainda bem que somos amigos. Somos amigos, não é verdade, Gilson?

- Claro, Marcelo. E então?

- Olha, me dá aí um real - só um realzinho, coisinha pouca, bem baratinho - que eu consigo o teu pacote na hora.

- Não tenho dinheiro algum aqui comigo. Posso te pagar amanhã?

- Claro! Amigo é pra essas coisas, um ajuda o outro. Traz o dinheiro amanhã. - Dedo em riste: - Mas, se não trouxeres, já sabes o que vai acontecer, não é?

Os dois são colegas de escola. Marcelo está com oito anos, Gilson com sete. Daqui a pouco serão adultos. São, pois, o futuro do Brasil - e, mais ainda, o futuro da civilização.

(Amilcar Neves, escritor)
Poema de Emanuel Medeiros Vieira


"Celso
Saudações.
Então, vamos lá...
Anexo um poema ('Brasília' I): sobre a cidade não oficial, a 'outra', quase não detectada - só quem a 'olha' verdadeiramente, e não apenas 'registra', pode sentir.
Um abração fraterno do Emanuel*
* E a chegada da querida Anita? A torcida é grande".


"Brasília" I

Cidade das mangueiras em flor,
dos fundadores da utopia,
candangos, barro vermelho, florzinhas do cerrado
pássaros, encantos cerrados,
cidade do amolador de facas
(ela tem esquinas sim, mas é preciso decifrá-las),

da louvação às primeiras chuvas,
terra molhada em janeiro.


Não, meu coração não quer saber da urbe palaciana,
dos maquiáveis planaltinos,
intrigas com soda cáustica.

Cidade dos criadores,
Da mistura de tantas raças, vários brasis
(ah, a moça tomando sorvete no ponto de ônibus).


Cidade do meu viver e do meu sobreviver,
de todos os sonhos,
das linhas retas do arquiteto,
e cidade do meu repouso.

23 de mar de 2009

Florianópolis ano 283

Canasvieiras.

Bar do Arante (Pântano do Sul).


Fortaleza de Santa Cruz (Ilha de Anhatomirim).



Foz dos rios Ratones e Veríssimo, junto ao Pontal de Jurerê (Daniela).


Fortaleza de São José da Ponta Grossa (Jurerê).

Lagoinha do Leste.

Forte de Santo Antônio (Ilha de Ratones Grande).

Lagoa do Perí.

Forte de Nossa Senhora da Conceição (Ilha de Araçatuba/Barra Sul).

Siri-azul no rio Tavares.



Praia da Armação vista do Morro das Pedras.

Avenida Beira-Mar Norte.




Aterro e Via Expressa Sul.

O "aniversário"

Os 283 anos de Florianópolis têm por base o dia, mes e ano de sua emancipação política de Laguna - 23 de março de 1726. Nada mais que isso. Quem tomou a decisão de fixar a data jogou o miolo da melancia fora e comeu a casca.

A iniciativa é sobretudo excludente: não leva em conta o próprio Francisco Dias Velho na fundação da póvoa em 1673. Nem dá conta dos parentes e agregados que aqui permaneceram após a morte do fundador. Como deixar de lado essa iniciativa, quando ela estava vinculada a um objetivo estratégico maior da Coroa de Portugal, o de conquista da região entre São Paulo e o Rio da Prata? O ano de 1680 é peculiar nesse sentido, quando os portugueses criaram Colônia do Sacramento em frente a Buenos Aires.

Laguna, São Francisco e Desterro têm seus povoamentos incrementados visando a manutenção dessa praça pouco antes de 1680. Muitas telhas, telhões, tijolos, madeirames e os ingredientes da argamassa de muitas edificações de Colônia foram levados da Ilha de Santa Catarina. E unidades militares recrutadas entre seus moradores.

Comemorar o vazio ano de 1726 exclui o povoamento de Santo Antônio de Lisboa quatro décadas antes. E deixa de fora os espanhóis que ocuparam o Ribeirão da Ilha pelo ano de 1526 (Caboto) e outros mais tarde, na Ilha. Ignora as populações pré-domínio europeu, onde figuram os Jê e seus sambaquis com cerca de cinco mil anos e os Guarani.