21 de mar de 2009

"A omissão anula o ser", observa Olsen Jr.


"Olá, camaradas, salve!
Por razões suficientes para o autor (como diria the old 'Papa' Hemingway) o texto de hoje não carece (sempre quis usar essa palavra em algum lugar) de comentários...
Trata-se de uma das mais terríveis 'doenças' de toda a humanidade e para a qual não se tem um antídoto específico uma vez que a sua 'cura' depende de cada indivíduo especificamente...
A doença?
A omissão...
A cura?
A motivação pessoal, cada um que 'arranje' a sua, contando que não seja apenas um 'interesse mesquinho e particular' está tudo bem...
A música é essa... 'Burning Bridges' que foi a trilha sonora de uma sátira de guerra do filme 'Kelly`s Heroes' com Donald Sutherland, Telly Savalas, Clint Eastwood entre outros...
Os caras formam um grupo dentro da Segunda Guerra e vão atrás de um tesouro atrás das linhas inimigas, de matar...
A trilha sonora fez sucesso como música independente do filme em 1970...
Segue a crônica, e um abração nórdico do viking autoexilado na Lagoa...
Até!
"


OS OMISSOS


Por Olsen Jr.

De todas as acusações que se possa fazer a um indivíduo que toma banho todos os dias, a mais grave é sem dúvidas, a omissão.

A omissão anula o ser. É como se “ele” não existisse.

Não se trata apenas de uma questão ética, de solidariedade ou de uma manifestação de vontade pura e simples, mas de uma justificativa mesma para o Homem que dispõe do livre arbítrio, da iniciativa para exercê-lo e da consciência para transformar esse discernimento em ação.

O homem só se resolve na ação.

A omissão diante da barbárie, da injustiça, da sacanagem que se perpetua no dia a dia nos torna cúmplices da mesma realidade que condenamos.

Quando me referi à entrevista com o escritor Silveira de Souza (na semana passada) não foi outra a minha intenção, senão dizer que se poderia valorizar mais o autor que era a “estrela da matéria” e não o seu periférico, se o processo fosse conduzido de outra forma. Uma idéia seria o escritor entrevistado indicar outro escritor (que conheça o que ele escreveu, enfim a sua obra) para participar do bate-papo e o entrevistador/jornalista (com um roteiro prévio de conhecimento do entrevistado) seria uma espécie de mediador. Sem um roteiro, nesse caso, não se avança. Nunca deixei de enaltecer a idéia e a iniciativa em se entrevistar um escritor catarinense todos os meses.

Das pessoas os que se manifestaram sobre o assunto, por e-mail, a viva voz ou através dos vários “blogs” (Arthur Monteiro/abcdigital.com.br; Maria Odete Olsen/educacaoecidadania.com.br; Sérgio Rubim/cangarubim.blogspot.com.br; Amilton Alexandre/tijoladasdomosquito.com.br; Celso Martins/sambaquinarede.blogspot.com e Carlos Damião no blogdodamiãowordpres.com) onde a crônica circulou, além dos curiosos e interessados no tema, foram menos de cinco escritores apenas... Mas não existe mais de 150 autores no Estado?

Temos o péssimo hábito de acreditar que “o que acontece só acontece com os outros”, quando chegar “a nossa vez” vai ser diferente... Pois não vai pela simples razão de que um equívoco quando não é corrigido tende a se perpetuar, seja pela omissão ou pelo desinteresse pelo tema, no caso em pauta.

Talvez, se fosse um especulador, diria que o silêncio se deu em função de não se criar “animosidade” com a “futura” perspectiva de ser um hipotético candidato da vez para a entrevista, mas aí é de doer... Lembra o velho Winston Churchill quando afirmou “Um apaziguador é alguém que alimenta um crocodilo esperando ser o último a ser devorado”.

Também para consolidar a idéia de que uma sociedade evolui com a insubmissão que existe em seu interior, de pessoas que se recusam em aceitar os comportamentos que podem ser induzidos ou impostos, até para nos distinguir de um “rebanho”, ou para evitar o que alertou o padre Martin Niemöeller (vítima do nazismo na Alemanha) em seu poema:


Primeiro,
Eles vieram buscar os comunistas.
Não falei nada, pois não era comunista.

Depois,
Vieram buscar os judeus.
Nada falei, pois não era judeu;

Em seguida,
Foi a vez dos operários, membros dos sindicatos.
Continuei em silêncio, pois não era sindicalizado;

Mais tarde,
Levaram os católicos,
Nem uma palavra pronunciei, pois sou protestante.

Agora,
“eles” vieram me buscar e,
Quando isso aconteceu, não havia ninguém mais para falar”.

(olsenjr@matrix.com.br)


Nota
As duas litografias acima são de Joaquim Margarida, publicadas nas edições nº 18 e nº 24 do jornal Matraca (anos de 1886 e 1887), na então Desterro (Florianópolis). As reproduções foram feitas na Biblioteca Pública de Santa Catarina.

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