31 de jan de 2009

Audácia, o documentário
Operação Barriga Verde na tela
Investida da ditadura levou 42 catarinenses à prisão
em 1975, acusados de tentar reorganizar o PCB.


- Aqui é o Francisco Pereira, filho do Chico Pereira, disse uma voz ao telefone.
- Pois não!
- Estou fazendo um documentário que fala da Operação Barriga Verde e gostaria de falar contigo, explicou.
Alguns dias depois ele apareceu se apresentando como Francisco.
- Francisco? Mas as pessoas te chamam de Francisco ou de Chico?
- Chico, pode ser...
E foi assim que conheci o cineasta Chico Pereira, mesmo nome e apelido do pai, o escritor, contista de mão-cheia, dono da editora Garapuvu, ex-militante do PCB, preso em 1964, exilado. O filho, acompanhado da mãe e dos irmãos, viveu em diversos continentes até o retorno da família ao Brasil depois da anistia em 1979.
A partir desse primeiro contato pude conhecer melhor o filho do velho Chico que residia em São Paulo e de quem apenas ouvira falar. Dotado de grande perspicácia, atento, do tipo que sabe ouvir (e ouve), despido de preconceitos (pelo menos aqueles mais berrantes e vulgares, não os incrustados na visão de mundo ocidental judaico-cristã) e movido por uma enorme força de vontade de fazer as coisas. É também cuidadoso, meticuloso, sempre elaborando coisas, raciocinando, numa permanente ruminância mental, próprio dos que não estão nesse mundo apenas para encher a barriga. [Não existe a expressão ruminância, ainda mais com circunflexo, mas vocês sabem do que estou falando né!]
O interesse do Chico Pereira se devia ao meu livro “Os quatro cantos do Sol: Operação Barriga Verde” (Florianópolis: EdUFSC; Editora Boiteux, 2007). Ele descobrira o trabalho depois de tomar conhecimento, numa obra do escritor Edmundo Bastos Júnior, dos fatos ocorridos com o capitão PM Nelson Coelho. “Vou centrar o documentário na Colônia Penal Agrícola de Canasvieiras. Não é um documentário sobre a história da Operação”, disse. O referido capitão, encarregado da Colônia Penal onde estavam alguns dos 42 presos da Operação Barriga Verde, acabou respondendo um IPM sob a acusação de dar muita liberdade aos presos.
É isso mesmo. Eu fui um dos que esteve em visita à Colônia Penal de Canasvieiras. Fui visitar meu antigo professor de Física do Colégio da Aplicação da UFSC, o falecido Marcos Cardoso Filho, grande amigo, assim como Cirineu Martins (esse Martins é o mesmo meu) Cardoso, grande poeta, e Alécio Verzola, sobrevivente daqueles tempos e meu vizinho aqui no Sambaqui. Numa dessas visitas pude saborear um porco assado no rolete, inteiro, trazido de Criciúma por parentes do também falecido Jorge Feliciano (que Deus o tenha!). Em outra ocasião, acompanhei Cirineu e Alécio, desde a Colônia, até um armazém na praia de Canasvieiras, onde compramos... Bem, compramos umas garrafas de cachaça, açúcar e limão.
Na Colônia era mais ou menos assim. Os policiais militares que faziam a guarda sabiam que estavam tratando com presos políticos, muitos deles seus conhecidos ou conhecidos em toda a cidade. Os detidos aguardavam a sentença de uma hora para outra, avaliando que a fuga não valia a pena. Desse modo, a guarda relaxou e os presos trataram de tirar o melhor proveito possível das circunstâncias. Numa noite, um oficial do serviço secreto da PM fez uma incerta, como se diz: apareceu repentinamente na Colônia e reparou a falta de dois ou três que não estavam em suas celas – na verdade no alojamento.
Isso levou à prisão do capitão Coelho e seu indiciamento. “Devido à falta de relações sexuais eles estavam com dores nos testículos, por isso deixei que fossem passar a noite em suas casas”, justificou mais ou menos assim no IPM o oficial, conforme me relatou numa conversa o coronel Edmundo Bastos Júnior. São aspectos como esses e os dramas pessoais dos presos que estão sendo tratados no documentário.
O passo seguinte do Chico Pereira (filho) foi me chamar para atuar como uma espécie de consultor (ele deu um nome pomposo, não recordo qual, para a tarefa). Dessa forma, passamos a ter contatos diários, pessoalmente, por telefone ou e-mail, discutindo as fontes, cenários para as locações, enfoques e até mesmo os profissionais a ser mobilizados. Edson Luis (Velho Bruxo), Marcelo Dias e outros foram aparecendo, como o repórter-cinematográfico Marco Antônio Nascimento, que assumiu a direção de fotografia.
As gravações ocorreram no início desse mês de janeiro, realizadas sobretudo na fortaleza de São José da Ponta Grossa e numa residência feita com materiais reciclados no Canto do Moreira (Ratones) e outros locais. Ao todo foram entrevistados 35 pessoas, ex-presos, parentes, amigos e também o lado oficial: carceireiros e policiais. As 30 horas de gravações começam agora a ser trabalhadas rumo ao produto final – um documentário de 52 minutos cujos detalhes podem ser conferidos no blog Audácia. Independente de qual seja o resultado, ficou o saldo de uma sincera amizade, o respeito mútuo e um horizonte de realizações conjuntas.

Mais detalhes no blog Audácia.


Fortaleza de São José da Ponta Grossa (Florianópolis-SC),
um dos cenários usados no documentário Audácia.

Marco Nascimento.

Francisco e Marco. No fundo Velho Bruxo (Edson Luís).

Marcelo, Velho Bruxo e Marco.

Marcelo (produtor) e Marco.

Marcelo e Velho Bruxo.

30 de jan de 2009

CARTA À POPULAÇÃO

SAÚDE PÚBLICA EM RISCO:
PERIGO AMBIENTAL E SANITÁRIO


VOCÊ SABIA?

-Que a CASAN, em conjunto com a Prefeitura Municipal de Florianópolis e o Governo Estadual de SC pretendem implantar uma Estação de Tratamento de Esgoto na Barra do Sambaqui, sobre o mangue, próximo à Estação Ecológica de Carijós e Baía da Daniela? No entanto, a Barra do Sambaqui não será beneficiada pelo tratamento do esgoto.

-Que, devido à sua localização, esta ETE poluirá o Rio Veríssimo, área de melhor qualidade ambiental do entorno da ESEC – Estação Ecológica de Carijós, acarretando danos irreversíveis a todo ecossistema da região: ESEC, Jurerê, Jurerê Internacional, Daniela, Barra do Sambaqui, Sambaqui, Santo Antônio de Lisboa e Cacupé)?

-Que em desrespeito ao Estatuto das Cidades que prevê que toda obra de impacto deve ser discutida com a comunidade, a CASAN negou-se a apresentar o projeto e as licenças ambientais à comunidade e realizou, em conjunto com a Prefeitura Municipal e o Governo Estadual o lançamento oficial das obras da ETE na Barra do Sambaqui?

-Que em sua campanha política o prefeito Dário Berger prometeu à população da Barra do Sambaqui medidas de melhoria da qualidade de vida neste bairro, que juntamente com a Tapera, apresenta o menor IDH – Índice de Desenvolvimento Humano da Capital. Disse o então candidato: “trarei dignidade, vocês sentirão orgulho de morar aqui”. Por que então a Barra do Sambaqui não será beneficiada pelo tratamento do esgoto?

-Que segundo o DC de 15/09/08, a CASAN foi multada pela Fundação Municipal do Meio Ambiente em R$ 1 milhão por reincidência em lançamento de esgoto sem prévio tratamento nas águas da Baía Norte? Contraponto do presidente da CASAN: “O presidente da CASAN, Walmor de Luca, considerou a multa sem sentido e afirmou que a empresa vai recorrer. Argumentou que o contrato obriga a companhia a fornecer água, mas estabelece coleta de esgoto somente quando for viável economicamente. Ele justificou que o elevatório é um mal necessário e passível de problemas.”

PODEMOS ENTÃO CONFIAR NA CONSTRUÇÃO DE UMA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO EM UMA ÁREA TÃO SENSÍVEL?

ESGOTO NO MANGUE NÃO!

MOVIMENTO ESGOTO NO MANGUE NÃO!
CONSELHO COMUNITÁRIO DA BARRA DO SAMBAQUI - CCBS
Unidos da Barra - Memória fotográfica (2)

Imagens do desfile do antigo bloco carnavalesco
Unidos da Barra (Barra de Sambaqui) em 2006. (*)










(*) Acervo de dona Eulália da Cruz, presidente do bloco Águia Dourada, cedidas ao Sambaqui na rede.

29 de jan de 2009

O céu de Sambaqui no final da tarde

Antes

Depois

Desabafo do vereador Márcio de Souza

O vereador petista Márcio de Souza,
alvo de duras críticas e insinuações,
ganha espaço no
Sambaqui na rede
para fazer sua defesa.
O texto está publicado em seu blog.


"Sobre os projetos do prefeito Dário Berger

Por força, certamente, de amplas capacidades e influências políticas de setores tradicionais e conservadores, surge uma infinidade de notas destituídas de verdades que promovem repercussões e danos morais às pessoas envolvidas.

Três notas na imprensa dão conta de que o vereador Márcio de Souza aderiu à base governista da administração Dário Berger. Tal notícia decorre do fato de que o vereador votou em algumas matérias pela suas aprovações, e em outras matérias votou pela não aprovação, como no caso do Projeto da Previdência, tal qual desejava o SINTRASEM.

Em relação à Fundação Franklin Cascaes, foi o articulador mais destacado em buscar impedir a subordinação da Cultura ao Turismo, conseguindo, ainda, na segunda-feira, 26, fazer com que um grupo de representantes da cultura fosse recebido pelo secretário de Turismo, para negociar um novo texto para a reforma.

Além desses projetos, o vereador tem buscado articular uma movimentação para audiência pública sobre o projeto do Defeso do Itacorubi, do Estudo de Impacto de Vizinhança ao Gerenciamento Costeiro e outros mais.

Assim, de forma bastante incomum, o vereador Márcio de Souza passou a ser alvo de monitoramento sistemático, numa espécie de patrulhamento.

Mas cabe perguntar porque essa espécie de comportamento não se verificou anos atrás, quando da administração da então prefeita Ângela Amin. Naquela ocasião, o vereador Márcio de Souza votou favoravelmente ao projeto enviado pela prefeita e não houve nenhuma insinuação ou nota na imprensa afirmando que Márcio de Souza havia aderido à base de Ângela Amin.

Porém, além dessas notas, existem outros interesses táticos que pretendem retirar a condição autônoma e independente de Márcio de Souza. Este sempre votou e se posicionou em favor dos elevados interesses da cidade, principalmente pelos setores mais empobrecidos e pelas áreas degradadas.

Hoje se fala da existência de três vereadores da oposição a Dário Berger. Entretanto, outros oposicionistas, também colocados na Câmara, divergem destes três por várias e respeitáveis razões. Por essa postura, estão sendo chamados de Adesistas.

Criou-se, assim, um maniqueísmo, com as clássicas visões que não dão conta de incorporar a diversidade de comportamentos e interpretações que constituem o campo oposicionista na Câmara Municipal de Florianópolis.

Márcio de Souza nunca fez e não pretende aderir a uma postura sectária, estreita e desonesta em sua atuação na Câmara".
As reformas de 2009 (*)

Por Amilcar Neves

Detalhe de edificação em Sambaqui (Florianópolis-SC).

Este ano de 2009 promete. Começou com a reforma ortográfica da língua portuguesa já no dia 1o de janeiro. Dizem que, com ela, meus livros serão vendidos sem impedimentos nem dificuldades de leitura no Timor Leste. Agora poderei enfim competir com Saramago em pé de igualdade na África e mesmo na metrópole.

Esboça reformas, este ano, na postura do governo dos Estados Unidos a partir do dia 20, com a aposentadoria compulsória (por quanto tempo? até a eleição para presidente do país de um novo candidato do Partido Republicano?) da arrogância tenebrosa que marcou a sinistra - embora de direita fundamentalista - era Bush. Obama anuncia o fim da imposição pela força da vontade e dos interesses dos EUA nas relações com o resto do mundo; falta saber o que pensa disso o front doméstico, cioso na hora de pedir dinheiro ao governo e, nos momentos de crise que ele mesmo provoca, poderoso na defesa de seus lucros e privilégios.

A crise financeira de 2008, aliás, pode ser o sinal de que outra mudança precisa começar a acontecer este ano: a reforma do atual modelo capitalista que vê no ser humano nada mais do que mera força de trabalho barata ou simplesmente o comprador final, elo derradeiro da cadeia que viabiliza o lucro. Num caso como noutro, peça descartável quando deixa de cumprir qualquer dos dois papéis que lhe são atribuídos, de mão de obra ou de consumidor, ainda que assim aconteça por ter sido demitido pelo mesmo sistema à menor suspeita de eventual redução nos ganhos. No Brasil, por eloquente exemplo, a indústria nacional quer facilidades e incentivos públicos (com dinheiro do povo) sem assumir qualquer compromisso com a manutenção de empregos (isto é, com o salário desse mesmo povo). "É uma indecência, uma imoralidade o governo querer exigir tal contrapartida absurda!", bradam seus líderes.

Indecências e imoralidades podem estar sendo tramadas em outras reformas que, em 2009, visam atingir mais ainda nossa atividade cultural. Suspeita-se que, por aqui, já se tenha decretado que a Cultura é auto-suficiente, auto-sustentável e que caberá apenas ao Mercado determinar como ela se desenvolverá - caso seja mesmo necessário haver algum tipo de desenvolvimento cultural. Com isso, nossos iluminados governantes podem tirá-la de suas preocupações (?) para se dedicar ao que verdadeiramente importa (para eles): a próxima eleição.


(*) Crônica publicada no jornal Diário Catarinense de 28.1.2009.
Republicada no Sambaqui da rede autorização do autor.

ISRAEL MASSACRA PALESTINOS (TAMBÉM)
POR RAZÕES ECONÔMICAS - É CLARO

Por Emanuel Medeiros Vieira (*)


O genocídio praticado pelo Exército de Israel contra o povo palestino, tem razões econômicas (é claro).

Eu sei. Não digo nada de novo.

Mas é preciso deixar claro.

Israel usa pretextos como o Hamas.

Mas o seu objetivo é o controle do gás palestino. É cobiça, rapina.

É a reserva submarina em Gaza - enorme.

Gaza foi massacrada para que Israel controle o gás.

Israel aproveitou a invasão militar - como compreendeu a Confederação das Mulheres do Brasil em excelente texto - para voltar a negociar a exploração do gás palestino de Gaza com a empresa inglesa British Gás.

Mesmo que seja um sonho distante, os humanistas do mundo inteiro não podem deixar de reivindicar a condenaçãode Israel por crimes de guerra, o fim do bloqueio econômico, a retirada das tropas israelenses dos territórios ocupados palestinos.

Poderemos ser acusados de redundantes e repetitivos. Mas é preciso falar sempre porque poucos parecem escutar.

Melhor a repetição sistemática que a omissão ou a manipulação de uma mídia controlada por outros interesses - do imperialismo, do qual Israel é ponta-de-lança no Oriente Médio.


(*) Escritor, Brasília, janeiro de 2009.



Os túneis de Gaza


Confira duas reportagens sobre os túneis que ligam Gaza ao Egito, alvo de bombardeios israelenses e por onde circula a fragilizada economia local.

Palestino conduz um terneiro por tunel
em Rafah. Foto: El Pais/Reuters.

A primeira é do jornalista Juan Miguel Muñoz feita em Rafah no dia 15 de dezembro do ano passado para o jornal espanhol El Pais. "Hamás impulsa la construcción de 1.500 túneles hasta suelo egipcio para burlar el bloqueo israelí - Los precios vuelven a ser asequibles en la franja" - a chamada.

A segunda é de meados dessa semana, feita pelo jornalista Jeremy Young (Al-Jazeera) e traduzida do inglês para o site Rebelion por Germán Leyens. "Vuelve a funcionar el cordón umbilical de Gaza", diz a manchete.

28 de jan de 2009

Mostra Cultural tem programação

* Evento substitui a Gincaponta 2009
* Dias 7 e 8 de fevereiro na Ponta do Sambaqui

(Clic na imagem para ampliar)

Estação de esgoto na Barra é questionada

Presidente da Casan, Walmor de Luca, no momento em que garantiu
a lideranças da Barra de Sambaqui que se reuniria com a comunidade
para explicar o projeto. A promessa foi testemunhada pelo
Sambaqui na rede e aconteceu após o recente ato de assinatura
da ordem de serviços para a execução da rede de esgotos do distrito,
realizado no clube Avante, em Santo Antônio de Lisboa.

Preocupado com a implantação da Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) no estuário dos rios Ratones e Veríssimo (Barra do Sambaqui), o Conselho Comunitário local se reúne nesta quinta-feira (29.1), às 20h30, para discutir o assunto. "Já faz muito tempo que tentamos um contato com a Casan e não tivemos sucesso até agora. Ninguém da Casan nos apresentou o projeto técnico ou se reuniu com a gente para esclarecer as coisas", garante Adriane Ferreira., integrando do movimento que contesta a localização da ETE. A comunidade deve recorrer ao Ministério Público e realizar manifestações de rua para chamar a atenção sobre o problema. "A estação vai ficar dentro do mangue. Na época de luz cheia a maré sobe e cobre tudo", garante Adriane. A reunião acontece no salão paroquial da capela de São Sebastião.


Capela de Ratones pode virar espaço cultural

Sobre a ameaça de demolição denunciada por Edson Luis (Velho Bruxo, autor da foto ao lado), chegou a seguinte mensagem de Sérgio Luiz Ferreira. "Celso, eu conversei com o vereador Dinho sobre a capela de Ratones. Já tinha conversado antes. Ele já tem um projeto de restauração na mão. Vou levar a ele hoje um plano de ocupação da capela como espaço cultural. Vamos tentar salvar esse patrimônio. Abraço, Sérgio".
HOLOCAUSTO PALESTINO
O SILÊNCIO É CÚMPLICE DA INFâMIA

Por Emanuel Medeiros Vieira

Foto: Steven Erlanger/New York Times. Publicada em 22.1.2009.



Em memória do meu querido amigo Adolfo Luiz Dias, quando se completam dez anos de sua morte (28 de janeiro de 1999). (*)

"Vão! E levem daqui a morte de vocês"
Mahmoud Darwish (1941-2008) - Poeta palestino

"Os alemães mataram seis milhões de judeus, e epenas seis anos depois os judeus fizeram a paz com a Alemanha. Conosco, os judeus não querem a paz."
Richard Hussein - Outro poeta palestino



Mahmoud, o poeta nacional palestino, foi aquele que escreveu "Confissão de um terrorista!", cujos versos iniciais são:"Ocuparam minha pátria/Expulsaram meu povo/Anularam minha identidade/E me chamaram de terrorista."

Uma guerra não termina com o armistício. Ficam as muletas, os órfãos, as viúvas, as casas destruídas, a devastação total.

Faixa de Gaza!

O Exército de Israel - formalmente, não usava a suástica - , foi embora.
Deixou o conhecido rastro de horror, sangue, dor, morte.
Tantas crianças que poderiam estar aqui agora.

O mais doloroso talvez seja a cumplicidade e a omissão de grande parcela da mídia hegemônica e de tantas pessoas que se consideram humanistas.

Há algo que parece até inconsciente: o tremendo medo de Israel, de suas penas alugadas, de seu imenso poder econômico, de sua mídia adestrada em todo o mundo.
Pois Israel crê que esteja acima do bem e do mal, das resoluções da ONU, e que seu povo tem o monopólio da dor.

"Colegas" não querem que seus futuros interesses sejam perturbados.
Há sobrenomes poderosos e influentes. Donos do grande capital financeiro e de editoras (uma delas talvez seja a principal do país).
Ou publicam regularmente em jornais - camufladamente ou não - sionistas.
Por isso, a vaidade de certas pessoas fala mais alto que o sentimento humanista e de honra pessoal. Querem publicar por uma editora famosa.
"Não vou brigar com essa gente", devem pensar alguns.

O silêncio é cúmplice da infâmia.

"Assassinaram minhas alegrias,/Sequestraram minhas esperanças,/Algemaram meus sonhos,/Quando recusei todas as barbáries/Eles.. mataram um terrorista!"
(Final do poema citado no início.)

Emanuel Medeiros Vieira
(Brasília, janeiro de 2009)

(*) Foto: Rivaldo de Souza (UFSC, Florianópolis-SC, final da década de 1970)

Observando a Palestina ocupada (2)

Imagem de Josetxo Ezcurra/Rebelion.


Chomsky e as atrocidades de Israel

Ao tomar decisões como a do massacre em Gaza, Israel "está se convertendo deliberadamente no que possivelmente seja o país mais odiado do mundo, e também está perdendo a lealdade da população do Ocidente, incluindo a dos jovens judeus estadudinenses, que provavelmente não toleram faz muito tempo seus persistentes e horríveis crimes". É o que conclui Noam Chomsky em longo artigo que acaba de entrar na rede. Estão disponíveis o original em ingles - "Exterminate all the Brutes": Gaza 2009 -, e a tradução para o espanhol feita por Germán Leyens, publicada no site Rebelion ( Gaza 2009 - “Exterminad a todas las bestias”).


27 de jan de 2009

Querem demolir a capela de Ratones

Alerta que acaba de chegar: "Boa noite! Celso, estão querendo derrubar esta capela, ela fica em Ratones. Não vamos deixar ir ao chão mais uma casa antiga. Velho Bruxo". Não é primeira vez que tentam demolir esse patrimônio para colocar algo modernoso no lugar.

Univali confirma toxinas no Ribeirão da Ilha


Texto encaminhado pelo jornalista Wagner Mezoni da Assessoria de Comunicação e Marketing Institucional da Univali, com o título "Confirmada Maré Vermelha no Sul da Ilha de SC", e uma linha de apoio: "Pesquisadores afirmam que o evento é diferente do ocorrido anteriormente na região". Ou seja, não é a "maré vermelha" a que estamos acostumados.

Florianópolis/SC - Pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), confirmaram a contaminação de moluscos na Baia Sul da Ilha de Santa Catarina e Ponta dos Papagaios. O evento é diferente do ocorrido anteriormente em Santa Catarina.

“Foi observado grande abundancia de algas do tipo diatomáceas do gênero pseudo-nitzschia, nas amostras de água coletadas”, diz Luis Antonio de Oliveira Proença, coordenador do Laboratório de Algas Nocivas do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra de do Mar (CTTMar), da Univali.

As análises e a evolução do evento estão sendo acompanhadas pelos pesquisadores, por meio do programa de monitoramento desenvolvido pelos produtores locais, pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e pela Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca. Elas demonstraram a contaminação de moluscos pelo ácido domóico em concentrações nunca antes observadas.

A detecção de ácido domóico está, até o momento, restrita a baia Sul da Ilha de Santa Catarina. Os valores máximos da contagem estão acima de 20 milhões de células em um litro, dando a água uma coloração marrom esverdeada.

O valor da toxina chegou acima de nível máximo de concentração de ácido domóico em frutos do mar destinados ao consumo humano, que é de 20 mg/kg de carne. Ostras, berbigão e outros organismos também apontam contaminação.

Os sintomas para a contaminação por esse tipo de toxina aparecem após algumas horas da ingestão estão entre distúrbios gastrointestinais, como diarréia, vômitos e dores abdominais, até a dor de cabeça, com alterações no sistema nervoso. Também já foram registrados raros casos de lesão cerebral e morte em pessoas com algum tipo prévio de debilidade, como presença de problemas renais.

Em casos agudos para contaminação por esse tipo de toxina foi observado à perda de sensibilidade a dor e da memória recente. Esse último sintoma deu o nome à nova síndrome, envenenamento amnésico por consumo de moluscos ou Amnesic Shellfish Poisoning (ASP).

A principal diferença dessa contaminação é que a por ácido ocadáico, dos casos anteriores, se dá quase exclusivamente por consumo de moluscos bivalves. Já, o ácido domóico por sua vez, pode se acumular em crustáceos, como siris e lagostas e até em vísceras de peixes, tornando esses organismos vetores ao homem e animais marinhos.

Essa toxina é regularmente monitorada em diversos países, inclusive em Santa Catarina. As florações de pseudo-nitzschia nem sempre produzem toxinas, mas quando acontece além da contaminação de moluscos e potencial intoxicação a seres humanos, está relacionada à morte de aves, peixes e mamíferos marinhos, como focas e baleias.

Sobre o fenômeno

As diatomáceas são um dos principais grupos de algas que compões o fioplâncton marinho. Como tal, fazem parte da base da cadeia trófica alimentar nos oceanos e tem papel importante no ciclo dos elementos no globo, com a produção do gás oxigênio, com liberação para atmosfera, e também no seqüestro de dióxido de carbono.

Uma característica das diatomáceas é a presença de uma parte celular formada por sílica, dando a elas um aspecto peculiar. Eventualmente as frústulas, como são chamadas as paredes celulares de diatomáceas, se depositam no fundo dos oceanos formando depósitos geológicos que podem chegar a vários metros de espessura conhecida como vazas silicosas.

O gênero pseudo-nitzschia é um dos muitos que compões o grupo das diatomáceas e é amplamente distribuído nos mares do globo, inclusive na região costeira do Brasil. Caracteristicamente formam cadeias de células muito finas (cerca de 30 vezes mais finas que um fio de cabelo) e longas, que ao microscópio ótico se assemelham a agulhas ou fibra de vidro.

Algumas espécies do gênero pseudo-nitzschia (Nitzschia) produzem uma toxina chamada ácido domóico. Esse é um aminoácido semelhante ao ácido caínico. Em 1987, várias pessoas foram intoxicadas após consumo de moluscos na costa leste do Canadá.

Depois de uma grande investigação, descobriu-se que as intoxicações foram causadas por esse ácido e que ele era produzido por diatomáceas do gênero pseudo-nitzschia. Essa é o primeiro registro desse tipo de infecção pelas diatomáceas, antes exclusividade dos dinoflagelados nos eventos de maré vermelha.

No Brasil o ácido domócio foi detectado em amostras de algas já em 2001 pelo Laboratório de Estudos sobre algas Nocivas da Univali. Desde então, vários estudos foram realizados por esse e outros laboratórios ao longo da costa brasileira.


Repercussão

Cópia do laudo da Univali do dia 24.1.2007 entregue
aos maricultores de Santo Antônio de Lisboa
hoje de manhã por um funcionário da Epagri.

(Clic na imagem para ampliar)


Mais uma na cabeça dos maricultores

Chuvas prolongadas, vendaval e uma nova “maré vermelha”. Somados os três itens, temos como resultado o desânimo tomando conta dos cerca de 30 maricultores das regiões de Santo Antônio, Sambaqui e Praia do Forte. José Queiroz, por exemplo, pioneiro no ramo em Florianópolis, contabiliza os prejuízos: R$ 22 mil em 2007 e cerca de R$ 30 mil no ano passado. Os danos começaram a ser sentidos com a “maré vermelha” do ano passado, quando os principais clientes sumiram e “até hoje não retornaram”.

Hoje (27.1) pela manhã os maricultores estavam tensos com a falta de informações. “A Vigilância Sanitária de Florianópolis diz uma coisa e a Epagri diz outra, mas não aparece ninguém aqui para explicar o que está acontecendo”, desabafa Queiroz. Enquanto ele falava e reclamava da recente mortandade de ostras adultas, apareceu um funcionário da Epagri com a cópia do laudo da Univali.

“Com esse documento nós podemos garantir aos clientes que nossas ostras não estão contaminadas”, reitera Queiroz, atormentado com os boatos sobre a proibição do comércio de moluscos em toda a cidade. No documento entregue a ele foi retirado o resultado das análises de amostras coletadas entre os dias 21 e 23 desse mês no Ribeirão da Ilha. Segundo o laudo assinado pelo professor Luís Antônio de Oliveira Proença, da Univali, a toxina é o ácido domóico produzido pela microalga Pseudonitzschia spp.






Apesar das incertezas no setor, os maricultores de
Santo Antônio de Lisboa mantém as atividades.


Divulgação da Mostra Cultural nas ruas





Unidos da Barra - Memória fotográfica












Desfile do bloco carnavalesco Unidos da Barra em 2006.
Acervo: Eulália da Cruz (presidente do bloco Águia Dourada).