26 de mar. de 2009

NOTAS SOBRE SANEAMENTO
e outros assuntos de interesse

Passeata no Pontal



Festa na Barra

O Conselho Comunitário da Barra do Sambaqui e o movimento Esgoto no Mangue, Não!, organizam uma festa para o dia 25 de abril (sábado). Risoto de frutos de mar e lambe-lambe tradicional são os pratos previstos.


Audiência no Ribeirão

Os moradores do Ribeirão da Ilha e região também estão mobilizados. No próximo dia 2 de abril, às 19 horas, no Centro Social Urbano da Freguesia, acontece uma audiência pública da Câmara de Vereadores, com o apoio do Núcleo Gestor Participativo local. O anúncio da Casan de construção de uma ETE no manguezal da Tapera, deixou as comunidades preocupadas com a possível contaminação das águas da Baía Sul, onde se localizam grandes áreas de cultivo de moluscos. Com o slogan "Saneamente básico sim - Impactos não", os moradores rejeitam a ETE no local anunciado e não querem emissários lançando dejetos na baía.


Seminário de Saneamento

Começa a ser amadurecida a idéia de realização de um seminário sobre saneamento em Florianópolis, envolvendo os moradores dos municípios da região, autoridades, entidades e técnicos.


Tear: entrega de certificados

Os certificados de conclusão dos cursos de tear desenvolvidos na ABS serão entregues amanhã (27.3, sexta-feira), durante solenidade do anexo do Casarão da Ponta do Sambaqui (rodovia Rafael da Rocha Pires, 3000).


Apelo do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina

"Estudante, Professor, você que é jornalista, venha defender sua profissão!!!

Você está sabendo que no dia 1º de abril pode ser julgada a exigência do diploma em Jornalismo como requisito para o exercício da profissão?

Se ainda não sabia disso, vá se mexer, reclame, se manifeste nas escolas, faça vigília, invente qualquer coisa para chamar a atenção sobre a possibilidade de tirarem de nós o nosso direito, de sermos jornalistas regulamentados.

Por quê falamos tudo isso?

Porque o Recurso Extraordinário 511961, que questiona a constitucionalidade da exigência do diploma em Jornalismo como requisito para o exercício da profissão, pode entrar na pauta do Supremo Tribunal Federal (STF) em 1º de abril, na sessão que começa às 14h.

Nesse sentido, o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, que vem desenvolve ações contínuas em defesa da profissão, convoca os profissionais, coordenadores dos 14 cursos existentes em Santa Catarina e estudantes a se manifestarem em defesa da obrigatoriedade de formação superior específica para o exercício da profissão.

Você que é jornalista saia em defesa da sua profissão e você que é estudante se mexa no dia 1º de abril, vá para a rua, faça vigília, proteste fora da sala de aula.

Profissionais e Estudantes, defendam a profissão!!!"

25 de mar. de 2009

O grande educador
Por Amílcar Neves




Foi numa fila de supermercado que os olhos - ambos os dois olhos - de Manoel Osório deram com a figura esguia, impávida e altaneira que aguardava atendimento do caixa preferencial. Sim, seus dois olhos, simultâneos, posto ser peculiar de Manoel Osório ver algo ou alguém de forma direta - com um dos olhos - enquanto o outro esquadrinha, distraído, paisagens talvez mais interessantes e convidativas.

Ele estava lá, aquele esbelto senhor, ou melhor, estava ali, bem pertinho, com o perfil característico dos seus: óculos escuros (em um ambiente fechado), barriga impecável (ou seja: ausente, substituída por músculos ainda bem definidos apesar da idade), chinelos confortáveis - mas nunca, jamais, um par de sandálias de dedo -, um ar soturno de quem não nunca jamais brincou em serviço - nem fora de serviço, pois quem serve à Pátria não se distrai jamais -, com sua mulher, subserviente e obediente, vestida com o recato que convém, cuidando exclusivamente dos pacotes.

Chegou ao caixa com um carrinho de supermercado cheio até quase caírem coisas dele. Outras pessoas e muitos outros carrinhos espalhavam-se pelas cercanias: as pessoas em fila, os carrinhos nem um pouco.

Ao momento de ser atendido, uma velhinha com três comprinhas na mão pediu o favor de uma prioridade. O homem negou e, imperativo, declarou: "A vez é minha".

Após toda a carga do homem encontrar-se na esteira do caixa, e depois que metade daquele rancho já havia sido registrada, a mulher que o seguia na fila começou a depositar no espaço vazio da esteira as compras do seu carro. Ele de olho. A mulher completou o serviço, ele sempre de olho. Então, quase ao final da sua passagem pelo caixa, ele empurrou a mulher para o lado e trouxe de perto um segundo carrinho lotado, afastou para trás as coisas dela e começou a descarregá-lo. Informou, em tom seco, metálico, impessoal: "Este também é meu". A mulher ferveu, corou e calou-se.

Curioso, talvez indignado - ou não (provavelmente não, pois o assunto não tinha a ver com ele) -, Manoel Osório puxou conversa com o homem de bermuda marrom, camisa polo preta, boné verde-oliva e óculos escuros. Que lhe disse:

- Tenho mais três carrinhos cheios aí pelos lados. Minha vida sempre foi educar paisanos. Nos bons tempos, eu era conhecido como "o grande torturador" - e virou-lhe as costas, fechando-lhe os ouvidos. Ambos os dois ouvidos.


Amilcar Neves, escritor. Crônica publicada na edição de hoje (25.3.2009) do jornal Diário Catarinense (Florianópolis-SC). A ilustração sobre foto de Cassandra Lima do Monumento Tortura Nunca Mais (Recife).



A arte da fotografia por Adriane Füchter

Moradores do Pontal estão mobilizados

Foto: Munira Seleme (CCPontal)

24 de mar. de 2009

Assembléia, eleição, passeata e uma dica


HOJE

A comunidade da Barra do Sambaqui continua em alerta e realiza nessa terça-feira (24.3) mais uma assembléia geral extraordinária no salão paroquial da Capela de São Sebastião, à partir das 20 horas.

Motivos para estar presente

* Ainda não está confirmada a ampliação da rede de coleta para atender os moradores da Barra.

*
A Prefeitura e a Casan ainda não disseram com todas as letras que a ETE não vai ser mais construída no local.

* O manguezal de Ratones e a Baía Norte não foram oficialmente descartados como locais de instalação de uma ETE e emissário submarino.

* Nem a conversa com o ministro da SEAP, Altemir Gregolin, rendeu frutos concretos até agora.

A pressão exercida pela comunidade e a força do movimento estão levando as autoridades a dar declarações, realizar reuniões e chamar para conversas, mas no fundo esperam um momento de vacilo para executar o planejado - sem estudos técnicos, sem projeto global do sistema e sem licença ambiental, com algum aval da Fatma e o comportamento de avestruz do Ibama.


AMANHÃ

O Fórum Permanente das Associações Comunitárias da Bacia do Rio Ratones realiza uma assembléia geral extraordinária amanhã (quarta, 25.3), visando a eleição e posse dos novos membros dos conselhos Deliberativo e Fiscal e da diretoria executiva da entidade. O Edital de convocação da assembléia do último dia 1º, foi assinado pela atual presidente, Maria Isavel Prates Carpeggiani e a secretária de comunicação do Fórum, Munira Seleme. A assembléia começa às 19 horas e acontece no auditório da sede do Conselho Comunitário Pontal do Jurerê - CCPontal, localizada à Avenida das Palmeiras n° 566, no Pontal do Jurerê (Daniela).


SÁBADO



DICA - Vozes das sombras


"Voces desde los sitios ocultos", publicada na edição de hoje (24.3.2009) da revista eletrônica Rebelión, nos remete a um universo subterrâneo de todos os tipos imagináveis e inimagináveis de torturas, seqüestros, chantagens, prisões ilegais e clandestinas, assassinatos... Tudo Made in EUA, na esteira do pós-11 de Setembro. Escrito pelo jornalista Mark Danner, teve como ponto de partida um "Informe del Comité Internacional de la Cruz Roja" sobre el tratamento dispensado a 14 “detenidos de alto valor” pela CIA (47 páginas, fevereiro de 2007). O texto original foi publicado no The New York Review of Books e traduzido do inglês para a revista Rebelión por Sinfo Fernández, S. Seguí e Germán Leyens com revisão de Caty R. Um retrato das mazelas contemporâneas. A ilustração acima é de Matt Groller, publicada originalmente na versão eletrônica da revista Rolling Stones.

"Dinheiro fácil", a crônica de Amílcar Neves


Gilson começou a perguntar aos colegas se alguém havia visto um pequeno pacote verde que ele trouxera, contendo uma caneta esferográfica de gel (com tinta em estado gelatinoso e, portanto, muito mais suave e eficiente do que as esferográficas comuns e baratas, que usam essas tintas que chegam a escorrer da ponta metálica e mancham de não sair mais da roupa ou borram vergonhosamente o papel sobre o qual se escreve) e outros materiais de trabalho. Ninguém sabia do paradeiro da coisa. As meninas lembravam de tê-lo visto chegar com o pacote, que lhes chamou a atenção por causa do endereço de shopping que estava impresso na embalagem, mas não tinham qualquer ideia de onde ele teria ido parar. Com os rapazes, o resultado de suas indagações foi ainda pior: ninguém havia reparado nele, Gilson, quando chegou nem em qualquer coisa singular que ele pudesse carregar consigo.

Menos Marcelo. Que, distraído, não percebera a movimentação provocada por Gilson, a agitação que ele começava a levantar, a inquietação crescente e aflita do companheiro. Inquirido, Marcelo retornou à realidade imediata e, de forma absolutamente casual, comentou que achava, sim, que sabia de alguém que teria notícias do pequeno pacote de plástico verde.

- E onde está o pacote? - Gilson quer saber. - Preciso dele agora.

- Mas eu não sei onde ele está, eu acho. O que parece é que eu sei de alguém que sabe dele.

- Quem é que sabe dele?

- Não é tão fácil assim de responder a esta pergunta. Imagina que podem ter pedido para mim para eu guardar segredo. E quando alguém pede segredo, a gente tem que respeitar, não é mesmo?

- É, talvez seja. Mas preciso do meu pacote. E, além disso, ele é meu.

- Fácil, meu amigo. Ainda bem que somos amigos. Somos amigos, não é verdade, Gilson?

- Claro, Marcelo. E então?

- Olha, me dá aí um real - só um realzinho, coisinha pouca, bem baratinho - que eu consigo o teu pacote na hora.

- Não tenho dinheiro algum aqui comigo. Posso te pagar amanhã?

- Claro! Amigo é pra essas coisas, um ajuda o outro. Traz o dinheiro amanhã. - Dedo em riste: - Mas, se não trouxeres, já sabes o que vai acontecer, não é?

Os dois são colegas de escola. Marcelo está com oito anos, Gilson com sete. Daqui a pouco serão adultos. São, pois, o futuro do Brasil - e, mais ainda, o futuro da civilização.

(Amilcar Neves, escritor)
Poema de Emanuel Medeiros Vieira


"Celso
Saudações.
Então, vamos lá...
Anexo um poema ('Brasília' I): sobre a cidade não oficial, a 'outra', quase não detectada - só quem a 'olha' verdadeiramente, e não apenas 'registra', pode sentir.
Um abração fraterno do Emanuel*
* E a chegada da querida Anita? A torcida é grande".


"Brasília" I

Cidade das mangueiras em flor,
dos fundadores da utopia,
candangos, barro vermelho, florzinhas do cerrado
pássaros, encantos cerrados,
cidade do amolador de facas
(ela tem esquinas sim, mas é preciso decifrá-las),

da louvação às primeiras chuvas,
terra molhada em janeiro.


Não, meu coração não quer saber da urbe palaciana,
dos maquiáveis planaltinos,
intrigas com soda cáustica.

Cidade dos criadores,
Da mistura de tantas raças, vários brasis
(ah, a moça tomando sorvete no ponto de ônibus).


Cidade do meu viver e do meu sobreviver,
de todos os sonhos,
das linhas retas do arquiteto,
e cidade do meu repouso.

23 de mar. de 2009

Florianópolis ano 283

Canasvieiras.

Bar do Arante (Pântano do Sul).


Fortaleza de Santa Cruz (Ilha de Anhatomirim).



Foz dos rios Ratones e Veríssimo, junto ao Pontal de Jurerê (Daniela).


Fortaleza de São José da Ponta Grossa (Jurerê).

Lagoinha do Leste.

Forte de Santo Antônio (Ilha de Ratones Grande).

Lagoa do Perí.

Forte de Nossa Senhora da Conceição (Ilha de Araçatuba/Barra Sul).

Siri-azul no rio Tavares.



Praia da Armação vista do Morro das Pedras.

Avenida Beira-Mar Norte.




Aterro e Via Expressa Sul.

O "aniversário"

Os 283 anos de Florianópolis têm por base o dia, mes e ano de sua emancipação política de Laguna - 23 de março de 1726. Nada mais que isso. Quem tomou a decisão de fixar a data jogou o miolo da melancia fora e comeu a casca.

A iniciativa é sobretudo excludente: não leva em conta o próprio Francisco Dias Velho na fundação da póvoa em 1673. Nem dá conta dos parentes e agregados que aqui permaneceram após a morte do fundador. Como deixar de lado essa iniciativa, quando ela estava vinculada a um objetivo estratégico maior da Coroa de Portugal, o de conquista da região entre São Paulo e o Rio da Prata? O ano de 1680 é peculiar nesse sentido, quando os portugueses criaram Colônia do Sacramento em frente a Buenos Aires.

Laguna, São Francisco e Desterro têm seus povoamentos incrementados visando a manutenção dessa praça pouco antes de 1680. Muitas telhas, telhões, tijolos, madeirames e os ingredientes da argamassa de muitas edificações de Colônia foram levados da Ilha de Santa Catarina. E unidades militares recrutadas entre seus moradores.

Comemorar o vazio ano de 1726 exclui o povoamento de Santo Antônio de Lisboa quatro décadas antes. E deixa de fora os espanhóis que ocuparam o Ribeirão da Ilha pelo ano de 1526 (Caboto) e outros mais tarde, na Ilha. Ignora as populações pré-domínio europeu, onde figuram os Jê e seus sambaquis com cerca de cinco mil anos e os Guarani.