18 de mai de 2009

Cara senadora Ideli

Senadora Ideli Salvati (PT) confirma presença na reunião com os moradores da Barra do Sambaqui e Sambaqui. O encontro será às 19 horas no salão paroquial da Capela de São Sebastião e da Santa Cruz. Foto: Rosane Lima (retirada do site pessoal da senadora).


A comunidade da Barra do Sambaqui é simples, despojada de luxos, mas extremamente acolhedora e hospitaleira. A senhora vai se sentir em casa. Será princesa por algumas horas, viverá breves instantes como rainha. Sua voz será ouvida, assim como seu silêncio, e seus gestos escaneados por dezenas de pares de olhos. Estarão todos atentos, mas ansiosos.

Sob a invocação da Santa Cruz e de São Sebastião, permanecerão no aguardo de respostas e questionamentos. Afinal, durante uns dois séculos, ou mais, seus antepassados e eles próprios preservaram o manguezal de Ratones, fonte da vida marinha e do alimento. As agressões ficaram por conta do poder público, que através do ex-DNOS drenou toda a bacia e aterrou alguns trechos, alterando, eliminando e acrescentando cursos d’água. O mesmo poder público que esquartejou o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e criou um Código Ambiental que se assemelha a uma sentença de morte para as nascentes e rios do Estado.

A Barra do Sambaqui disputa com a Tapera o pior IDH de Florianópolis, mas isso não quer dizer que seus moradores não estejam informados – eles acompanham os noticiários da rádio e TV, os jornais são lidos e comentados, os sites e blogs na internet consultados. As constantes declarações do presidente Lula contra as leis ambientais, a atuação do Ibama e do Ministério Público, soam pelas encostas como um sinal verde para a permissividade. Isso contrasta com as preocupações da humanidade diante do aquecimento e a subida do nível dos mares, com o futuro da água e das florestas.

Tudo isso é percebido por aqui. As pessoas têm opinião formada sobre todos esses temas. É notório que nossas elites políticas estão executando projetos de curto prazo visando à próxima eleição, quando interesses legítimos se misturam com interesses espúrios que, no fim das contas, saem ganhando. E entramos num círculo vicioso e sem fim. É por essas e outras que as pessoas se afastam, ou pelo menos as pessoas de bem. Os espertos, claro, existem, e esses têm como espelho o que fazem os lá do alto.

Por isso estimada senadora, candidata ao Governo do Estado, faça justiça a sua própria memória, a sua história, pois não são tão remotas assim as cenas em que a ex-presidente do Sinte se batia nas ruas em favor dos professores. Aliás, foram os ecos do asfalto e das construções de Florianópolis que, afinal, a levaram até o Senado. Os moradores da Barra do Sambaqui acompanharam tudo isso. Quem não viu, ficou sabendo. Assim como todos têm conhecimento que as obras de saneamento em Florianópolis estão sendo financiadas com recursos do PAC/Bndes, ou seja, pelo Governo Federal.

Eleitores ou não dos atuais governos – municipal, estadual ou federal – os moradores de Sambaqui e da Barra de Sambaqui não querem ter no seu quintal uma estação de tratamento de esgotos que ameace o manguezal de Ratones. Não querem o lançamento de efluentes dessas estações nas baías de Florianópolis. Desejam que essas obras tão importantes sejam devidamente licenciadas, executadas com critério e transparência, mediante permanente consulta às comunidades envolvidas. Tão humildes quanto escaldados, os moradores estarão atentos, muito atentos, às suas colocações hoje à noite.


Foto: Rosane Lima.


Imagens de campanhas




Cenas da 1ª Feijoada da Gincaponta






Participantes da Feijoada curtiram o trabalho da banda Mr Joe.

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