20 de mai de 2009

Vamos para Porto Alegre!


Por Amílcar Neves*

O Ex.mo Governador do Estado esconde, ou melhor, guarda uma surpresa magnífica para a Literatura catarinense e, por extensão, para os escritores da terra. Está com ele um convite que veio do Rio Grande do Sul que muito nos honra, dignifica e envaidece. Quer dizer, só pode estar com ele, dados a magnitude do assunto e o fato de a correspondência ter chegado no dia 16 de março às mãos das mais altas autoridades da Secretaria do Turismo, Cultura e Esporte e da Fundação Catarinense de Cultura.

Desgraçadamente continuamos por aqui sem uma Secretaria da Cultura, que trate com propriedade dos assuntos que lhe são afeitos, mas isto não vem ao caso agora. Falemos de coisas boas, as coisas boas que Sua Excelência oculta de nós com tanto zelo e discrição feito segredo de Estado. Ele nos quer fazer, no tempo devido, uma fabulosa surpresa, não duvidem.

Trata-se do seguinte: notícias que vêm dos pampas dão conta de que a Câmara Rio-Grandense do Livro elegeu Santa Catarina o Estado Convidado da 55a Feira do Livro de Porto Alegre, de 30 de outubro a 15 de novembro (lá eles não só mantêm a numeração sequencial desde 1955 como ainda não se atreveram, como aqui, a chamar o evento de Feira Estadual do Livro). Nossos vizinhos ao Sul nos cedem, de graça, um estande de 18 m2 para comercialização de livros e pedem a presença de escritores e ilustradores, apresentações artísticas, participação de especialistas em mesas-redondas, lançamentos de livros e aparição de autoridades estaduais em algumas solenidades.

O convite assinado pelo presidente João Carneiro lembra que "a praxe, nestes casos, é que o Estado convidado cubra os gastos de viagem de sua delegação, cabendo à Câmara Rio-Grandense do Livro disponibilizar sua hospedagem, alimentação e traslados aeroporto/hotel/aeroporto". Isto, claro, não é problema algum: basta lembrar a quantidade de vezes que o então titular da FCC esteve em Paris durante o ano do Brasil na França. No ano de Santa Catarina no Rio Grande, ali ao lado, os custos de levar um escritor por dia a Porto Alegre são comparativamente ínfimos.

Como o prazo para aceitação formal do convite encerrou-se na sexta-feira passada, dia 15, parece conveniente que nosso querido governador revele enfim a programação que definiu para a Literatura catarinense em Porto Alegre. Não há mais por que manter o mistério sobre o assunto.

*Amilcar Neves, escritor. Crônica publicada na edição de hoje (20.5) do jornal Diário Catarinense. Reprodução autorizada pelo autor.

Ilustração: Gallo Sépia.

3 comentários:

  1. Meu Grande Amigo Celso, seja a onde fosse, nao importa a origem e nao sou escritor, nao tenho este dom, infelismente, até gostaria de transformar muito o que vejo e fotografo em palavras, mas voltando, nao importa o lugar ou de onde partiu o convite, que VERGONHA, que VERGONHA, se alguem me parar na rua, vou até fazer de conta que nao sei de nada, pois acho que passaria mais VERGONHA ainda.
    Nao estamos na terra certa, acho que erramos na hora de decidir o destino de nossas vidas ou nossos Pais erraram na hora de nos parir, pois nao pode ser tao gritante as divergencias de ideias, uns pensarem na evoluçao humana e outros que se julgam detentores da inteligencia local, se acharem no direito de aniquilar tudo que ficou na história ou estar por vir para as próximas geraçoes, acreditar que a verdadeira evoluçao cultural e educacional está muito longe daqui por isto tem que se importar conhecimento.
    Estou ENVERGONHADO em ser obrigado a engolir este amontuado de aberraçoes humanas que nos governam!!!

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  2. AMILCAR, obrigada por teres coragem de tornar público um convite que ficamos sabendo na abertura da feira de Rua do Livro, a 24ª e não a 2ª Catarinense como querem alguns. Aliás, eu já tinha dito, bem neste espaço, que podemos mudar o local, a data, o nome da Feira, mas não podemos ignorar que o povo desta terra ainda tem Memória e agora acrescento:também tem "vergonha".
    Por falar em memória,convites e em livros...só um fato é bom ESQUECER que um dia a cidade vivenciou o seu momento de "Fahrenheit 5.0",não é mesmo? Para completar faltou contar que o Patrono da Feira, o escritor Deonísio da Silva,catarinense, radicado no Rio de Janeiro, não veio na abertura da Feira porque queriam que ele pagasse do seu bolso a passagem do Rio à Florianópolis. É ruim,hem?
    Enfim,vamos falar de coisas que nos enche de orgulho? O Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras ao escritor Salim Miguel. Isto sim é motivo de grande júbilo!

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