26 de abr. de 2009

O Mega foi embora!


Acordei hoje lá pelas 9 hotas, fui olhar os e-mails, e me deparei com essas duas mensagens:

"Puzé, o Ricardo Mega nos deixou às 22 horas do dia 25 de abril. O velório será dia 26, neste domingo a partir das 10 horas até 17 horas, na capela D, do Itacorubi; em seguida segue para Camboriu, onde será cremado. Eu não acredito ainda". (Ayrton Cruz)

"O amigo de profissao Ricardo Mega faleceu neste sábado às 23:00. O velório será na capela D, no Itacorudi, a partir das 10 da manhã até as 17 horas, depois segue para Camboriu, onde será cremado". (J. L. Cibils)


Por enquanto não vou dizer mais nada.

25 de abr. de 2009

DESTRUIÇÃO EM SAMBAQUI (2)
Moradores se reúnem nesse domingo


Na postagem "Destruição em Sambaqui" (veja abaixo) falava na preocupação de muitos moradores em não se cometer injustiça com a empresa Itajuí, contratada pela Casan para implantar o sistema sanitário do distrito de Santo Antônio de Lisboa. Por cautela apontava as intensas chuvas como principais responsáveis pelos estragos em três ruas do bairro, até que a situação ficasse melhor configurada.

Pois bem, ontem e hoje (25.4), choveu copiosamente toda a noite e parte da manhã, provocando inundações em residências da rua Antônio da Rocha Pires (rua do Centro Comunitário), tornando impossível o sono de muitos moradores. Liga daqui, liga dali, chegaram ao local representantes da empresa Itajuí, Casan e Prefeitura Municipal, quando foi encenada a famosa peça "O corpo-mole se casou com o deboche".

Ou seja, o representante da Casan, na maior cara-de-pau, se eximiu de qualquer responsabilidade ao enunciar seu parecer: a culpa era da natureza. Tirou o seu e o da empresa da reta. Estava sobrando para a Prefeitura quando esse mesmo representante da Casan defendeu que só um trecho da rua era sua responsabilidade, outro não. O intendente Maurício Meurer, presente e acompanhando tudo, alega que não, pois a origem de tudo são os buracos abertos para a colocação da rede de coleta de esgotos.

Reinaldo Pires, de tradicional, muito antiga e numerosa família de Sambaqui, filho do falecido Rafael da Rocha Pires, investigou o que poderia ter acontecido e nos chamou para mostrar. Afinal, foi ele quem comandou há alguns anos a abertura da rua. Nas fotos abaixo podemos verificar o que houve. O impasse sobre quem deve fazer o que, será discutido nesse domingo (26.4), depois da missa das 19h30 no Centro Comunitário. O certo é que não só essa rua, como a travessa Jandira Pires da Cunha, precisam ser consertadas. Nessa última, os moradores de cinco residências estão impedidos de sair com seus veículos.


A água que desce entra na tubulação de drenagem nesse ponto.

Reinaldo Pires mostra o local onde começou o problema.

O tubo de drenagem entupido com barro e pedras devido a
movimentação provocada pela implantadação da rede de coleta
de esgoto. A água segue pela vala aberta para os tubos de esgoto.


Vala da rede de coleta de esgoto por onde toda a água
passou a escoar com o entupimento da drenagem.






Parte de baixo da rua, onde a Casan alega não ter responsabilidade.


Moradores passaram a noite em claro tentando evitar a invasão
das águas que desceram do morro pela rede de coleta de esgotos.


Até por volta do meio-dia os moradores ainda limpavam suas casas.


Especial
Fotos de Márcia Regina Ferreira





Elias Andrade
expõe na UFSC

24 de abr. de 2009

CAPANGAS OU PISTOLEIROS?
Qual é a turma do Gilmar?



Por Raul Longo

Lembrando de minha avó, que ameaçava lavar nossa boca com sabão sempre que desconfiava estarmos escondendo o que fazíamos de errado e inventando mentiras, só ouço o noticiário de TV enquanto estou lavando louça. A boa velhinha nunca cumpriu com suas ameaças e, infelizmente, também não posso fazer nada. Daí que só ligo a TV enquanto estou na pia, pois desconto minha ira nas panelas: "- Me respeitem que vocês não estão falando com seus homer simpsons!" (Homer Simpson é o personagem meio idiota de um desenho animado, ao qual William Borner, o apresentador e editor do Jornal Nacional, comparou seus telespectadores).

Mais atento à sujeira das panelas do que à da Globo News, não peguei o nome da juíza convidada para comentar o pito do Ministro Joaquim Barbosa no presidente do Supremo, num programa da emissora, levado ao ar ontem (23 de abril) pela manhã; mas a afirmação da juíza tentando pôr panos quentes, acho que acabou por incendiar o palheiro. Ao menos na minha parca compreensão das coisas.

Naquela tentativa de especularem sobre a discussão, a juíza recusou a intenção dos jornalistas de culpabilizar o poder executivo pela desmoralização do judiciário, mas escorregou quanto à referência aos capangas do Gilmar Mendes, tentando minimizar com a sugestão de que Joaquim Barbosa provavelmente se referisse aos guarda-costas do Presidente do Judiciário.

A juíza resvalou lá na TV e aqui na pia a panela ensaboada escapou-me da mão, tamanho o susto! Porque o Presidente do Supremo do Tribunal Federal precisaria de guarda-costas?

Presidente, deputado, empresário, governador, prefeito, jogador, artista, gente famosa, vá lá! Sempre podem render algum resgate e nunca falta algum maluco querendo entrar pra história, além dos naturalmente revoltados por seus desmandos.

Já imaginaram o nefando George Bush sem guarda-costas? Morreria soterrado de sapatos!

Mas quem diabos se beneficiaria atacando um Presidente do Supremo Tribunal Federal?

Excelentemente relacionado com a UDR e os mais poderosos bandidos desse país aos quais sempre atende com habeas corpus e outros pauzinhos judiciariamente manipulados, a quem teme o Gilmar? Quem ameaçaria sua integridade?

Me refiro a integridade física, claro!, pois quanto a moral o Presidente do Supremo tem se demonstrado pouco cioso. Vai ver só exigiu o respeito do Ministro Joaquim por algum incontido preconceito. Aliás, só por aquela careta disfarçada de sorriso, já merecia ser enquadrado em qualquer lei anti-racista.

Eu lá ariando a gordura das panelas, e a pergunta insistindo em minha cabeça: "Quem teria interesses, condições e meios para ameaçar tão alto magistrado?"

Não posso acreditar que os Sem Terra, ou qualquer outro grupo de reivindicações populares, tenham acesso sequer aos ouvidos do Presidente do Supremo para poder xingar sua mãe. Se tivessem, a pobre senhora já estaria mais desqualificada do que as progenitoras de árbitro de futebol em decisão de campeonato na marcação de pênalti, no último minuto de placar empatado. É o que se deduz só do blog do Noblat, onde um corolário de centenas de mensagens de leitores entusiasmados, repete em coro o que afirma um deles: Joaquim Barbosa lavou a alma dos brasileiros!

E olhem que leitor do blog do Noblat sequer é de esquerda! Está longe de ser petista, ou lulista.

Continuei circundando a esponja ensaboada, perguntando aos pratos e talheres as razões de um presidente do Supremo Judiciário em manter um exército de guarda-costas? Se a juíza houvesse se referido aos seus empregados, até poderia entender: motorista, arrumadeira, cozinheira, secretária... Natural!

Um ou até dois guardas-costa que sejam, compreensível! Mas o dizer da juíza deixou claro que Gilmar Mendes deve ter mais guarda-costas do que o juiz Odilon, aquele de Ponta Porã, há décadas ameaçado por traficantes e contrabandistas da sempre violenta fronteira com o Paraguai.

O Gilmar! Lá em Brasília? Mesmo que seja em Mato Grosso, como afirmou o Barbosa: "... O senhor não está falando com seus capangas do Mato Grosso."

Sei não... Minhas panelas desconfiam que quem vai precisar de guarda-costas, a partir de agora, será o Joaquim Barbosa.

Raul Longo é jornalista, reside em Sambaqui (Florianópolis-SC). www.sambaqui.com.br/pousodapoesia

Ilustração: A. Galleppini
Farra Parlamentar
de Passagens Aéreas


Por João José Leal*

Os integrantes das entidades protetoras dos animais bem que poderiam empregar toda a força de sua comprovada militância, que sempre utilizaram para impedir a farra do boi em Tijucas e nas cidades açorianas, para também acabar com a farra das passagens aéreas no Congresso Nacional.

É claro que são farras diferentes. A de Brasília é permanente, enquanto que a farra de boi só ocorre na quaresma. (Aliás, ocorria porque, nesta última quaresma, foi tão reprimida que não chegou a acontecer). A farra de Brasília espalha-se por todo o território nacional, com direito a vôos internacionais. Os destinos, portanto, são os mais diversos e sem limites de fronteira. Já a farra açoriana está confinada a apenas esta região litorânea.

A farra de boi sempre foi divertimento só para os homens. Mas, do festival de passagens aéreas do Congresso, participa toda a família. Afinal, nossos congressistas não podem ficar longe das mulheres, de seus filhos, de seus pais e nem de suas sogras. O sentimento parlamentar de família torna-se mais intenso quando a distância é maior, principalmente, quando deputados e senadores estão na Europa ou em outros continentes.

Também não se pode comparar o perfil econômico, social ou político dos protagonistas. Os farristas açorianos são geralmente pessoas humildes, anônimas e de pé no chão, correndo atrás de bois que só querem fugir do assédio. Já os nossos congressistas – senadores e deputados – são gente da melhor estirpe social e detentora de considerável patrimônio econômico. Correm atrás de diversões e aventuras bem mais sofisticadas e dispendiosas. Algumas são inconfessáveis. Afinal, quem paga a conta são seus próprios eleitores.

Diferenças e ironias à parte, não só os integrantes das entidades protetoras de animais, mas todos brasileiros deveriam se engajar num movimento de preservação da ética e da moralidade na condução da vida republicana, a começar pelo Parlamento brasileiro. Isto porque, se nossos parlamentares não têm revelado o mínimo de compromisso com a moralidade na condução da vida política republicana, não seremos nunca uma nação séria. Temos de reconhecer que o general Charles Degaulle tinha razão.

Pelo que se vê, o povo está indignado com tantas e tamanhas falcatruas travestidas de duvidosas legalidades. No entanto, a simples indignação não é suficiente. É preciso que o povo, de forma pacífica como aconteceu no processo de cassação do ex-presidente Collor, saia às ruas para protestar e dar um basta a essa farra de privilégios e de imoralidades.

Neste momento político tão corrompido em que vive a nação brasileira a CUT e a UNE, cujos dirigentes dizem representar os interesses dos trabalhadores e dos estudantes, bem que poderiam iniciar esse legitimo e necessário movimento em prol da moralidade. Porém, aparelhadas e sustentadas por vultosas verbas públicas, estas entidades estão hoje mais a serviço do poder governante em Brasília do que dos seus representados.

Por isso, só nos resta uma esperança: a militância dos integrantes das sociedades de proteção aos animais. Quem sabe se, em vez da farra do boi, o foco de controle recriminatório dessas entidades se volte para condenar e, quem sabe, acabar com a farra de passagens aéreas dos nossos deputados e senadores.

* João José Leal – Promotor de Justiça aposentado e Professor do CPCJ/UNIVALI.
O ENIGMA DOS BILHETES


Por Olsen Jr.

Tem ações que estão de tal maneira incorporadas em minha vida que quando as executo, raramente me dou conta de que, muitas vezes, tal atitude pode causar estranheza.

Outro dia, peguei uma comanda dessas de restaurante e fiz uma anotação, depois a guardei no bolso da calça. Mal tinha completado o gesto, ainda com a caneta na mão, retomei o mesmo papel, e com um sorriso na cara, fiz outra observação, desta vez, no verso, dobrei o papelucho e tornei a arquivá-lo no mesmo lugar.

Uma conhecida minha, que eu não tinha percebido no ambiente, se aproximou, indo em direção ao banheiro e ao passar por mim exclamou “daria tudo para saber o que você anotou nesse papel”, e continuou caminhando sem se deter. Logo em seguida, de volta, afirmo que ela não precisa me dar nada para saber, afinal não tenho segredos que mereçam uma distinção a ponto de negar o seu conhecimento. “Deixa ver então”, provoca. Pego o papel que tem o número 09 em cima e mostro. Ela franze o cenho, como se estivesse fazendo enorme esforço para ler e soletra: “... Todos os deuses são os mesmos deuses”... Depois, espia no verso, faz a mesma cara e diz “...

Se não fizermos por nós, eles - a expressão nos ignoram está riscada e substituída por “não estão mais aí”... Ouço um “huumm!” de aprovação, seguido de uma pergunta “isso vai dar no quê?”. Por enquanto é só uma dica, pode aparecer num diálogo num conto, talvez um leitmotiv para uma crônica, alguma coisa sai, porque não desperdiço material. Com um “boa sorte no teu trabalho”... Vejo-a indo para a mesa onde a esperam algumas amigas...

Interessante, no final do dia, normalmente, estou com o bolso cheio desses papéis, mas naquela hora me surpreendi, aquele tinha apenas o número 09, o que significava, em termos práticos, que o dia não tinha rendido, quer dizer, não pensei o suficiente, não observei sequer o necessário, era duro mesmo manter aquele “alerta permanente” porque tinha a impressão que o mundo todo estava prestes a explodir e ninguém estava dando a mínima.

Esse hábito, aliás, acho que todo o escritor possui. Ninguém que escreva, que eu tenha conhecido ou conheça, abstraindo o Fausto Wolff, confia na própria memória.

Depois que a mulher se afastou comecei a fazer um balanço do mês, pego outro papel está escrito “Na lotérica: o cara pergunta “tem uma fezinha aí?”. O outro responde “tenho”. “Quanto custa?”. “Uma custa R$5,00 e outra R$8,00, mas essa tem dupla chance de ganhar”. Passa uma fração de segundos e o cara toma a decisão. Pô! “Se não tenho nenhuma chance com uma, para que vou me exibir comprando outra cartela com duas”. Rio sozinho, aquela anotação está há mais de 15 dias no maço do outro bolso que sempre levo comigo mesmo mudando de calça. É uma espécie de reserva quando as coisas não vão bem.

Observação no Beco dos Poetas, 37: “tem dias que não entram (carros) e não sai ninguém; em outros, só saem (carros) e não se sabe de onde que vêm!” Até rimou, ou por isso tenha anotado. Depois de uma batida no trânsito, a observação sobre um dos condutores “Além de pouca prática, o cara era nervoso, e segundo testemunhas, ainda tinha a síndrome do pânico, mas só quando estava estressado, o que era o caso, acrescento”. Está louco, penso. “O importante não é a idade que se tem, mas o que fazer com o que se tem nessa idade” (respondendo ao Salim Miguel, na Casa da Memória, a célebre pergunta que sempre me faz quando me encontra “que idade tens?” E ele mesmo acrescenta “é um guri”...). Após o técnico de um clube afirmar que “tinha a humildade de reconhecer o erro ao substituir um jogador”... “A humildade não é talento”, concluo... Aquela miscelânea não tinha fim. “Se extrair a palavra “galera” do vocabulário brasileiro, muitos programas de televisão irão a falência”, no que eu concordo... Tem coisas que não se explicam, se é que isso serve de explicação!

Ilustração: Gallo Sépia

23 de abr. de 2009

MPF protocola representação
contra o Código Ambiental


O Ministério Público Federal (MPF) em Santa Catarina encaminhou hoje (23.4) uma representação ao Procurador Geral da República, solicitando que ingresse com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o Código Ambiental, aprovado pelo Legislativo e sancionado no último dia 13 pelo governador Luiz Henrique da Silveira.

Os procuradores da República solicitam ainda uma medida cautelar para a imediata suspensão dos seguintes dispositivos do Código (lei nº 14.675, de 13.4.2009), por "afrontar normas gerais federais" estabelecidas na Lei nº 4.771/65 e na Lei 11.428/2006, violando ainda o art. 24, e parágrafos, da Constituição Federal: incisos XV, XVI, XVII, XVIII, XX, XXII, XXX, XLVIII e LX e §§ 1º, 2º e 3º, do art. 28; arts. 101 a 113; art. 114; art. 115; art. 116; caput (para eliminação da expressão “estadual”) e inciso X do art. 118; caput do art. 119 (para eliminação da expressão “ou quando a compensação proposta beneficia o meio ambiente aumentando a área protegida”) e art. 121.

Confira a íntegra da representação assinada pelos procuradores federais Analúcia Hartmann, Darlan Airton Dias e Ricardo Kling Donini.

Ilustração: Gallo Sépia
Juiz federal nega aplicação do
Código Ambiental catarinense


Notícia que deve ser lida pelos deputados estaduais catarinenses, publicada no site da Justiça Federal em Florianópolis: "O juiz Wesley Schneider Collyer, da Justiça Federal em São Miguel do Oeste, negou o pedido de liminar de três possuidores de terras situadas no Assentamento Jacutinga, naquele município, para que fossem suspensas as multas aplicadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), em fevereiro deste ano, em função da utilização de área dentro da faixa de 30 metros da margem do Rio das Antas. Eles alegaram, entre outros argumentos, que deve ser considerada a faixa de cinco metros, prevista no Código Ambiental de Santa Catarina. O juiz considerou, também entre outras razões, que o Ibama deve respeitar a lei vigente à época do fato e que o código não é aplicável ao caso". Continua. Confira a íntegra da decisão judicial.

Ilustração: Gallo Sépia