10 de fev de 2009

Mentira é a nova arma da Casan

Momento do ato público realizado ontem (8.2.2009) em Sambaqui.


Notícias do Dia, 9 de fevereiro de 2009.

Reprodução da matéria publicada hoje (9.2.2009)
no jornal Notícias do Dia (principal e correlata).


Comentários

Mentiroso segundo mestre Aurélio Buarque de Holanda é aquele "que mente", "faveiro, loroteiro, maranhoso, marombado, pabola, pomadista, potoqueiro, potoquista, pregador". É também o "oposto a verdade", "falso" e "que não é o que parece ser; enganoso". Mentir não chega a se constituir crime propriamente, à luz do Código Penal, mas a mentira associada à fraude e ao dano sim - um deles previsto no famoso artigo 171 (estelionato).

Assim que li o texto acima no jornal Notícias do Dia, liguei para o autor das declarações, Cláudio Floriani, responsável pela área de meio ambiente da Casan. Não estava. Sofrera um acidente. Parece que destroncou o tornozelo e está em casa se recuperando, conforme o funcionário do setor que atendeu a ligação.

No texto acima se destacam três afirmativas e uma informação não confirmada.

Uma das afirmativas dá conta da existência de interesses pessoais na movimentação contrária a estação de esgoto na Barra de Sambaqui. Alguns moradores temem a desvalorização de seus imóveis. Isso é no mínimo leviano, próprio de quem está chutando despropositadamente, não conhece a realidade, nem as pessoas envolvidas no caso. Talvez nem conheça a Barra do Sambaqui, não sabe onde fica a Capela de São Sebastião, ignora a existência do Santa Cruz, nunca ouviu falar no senhor Deca-Deca e nem leu as crônicas do Arilton Viana no jornal "A Ponta".

Floriani também afirma que foram realizadas três reuniões com a comunidade e o Ministério Público. Fiz uma rápida consulta entre as lideranças locais e pude constatar que ele falou meia verdade. Ou seja: os encontros ocorreram, mas o projeto da rede e da estação de tratamento de esgoto jamais foi apresentado. Nem estudo algum de impacto ambiental apareceu nas citadas reuniões, onde muitos outros assuntos estiveram em pauta. Para quem não acompanha de perto toda essa movimentação, pode parecer que são os moradores da Barra e de Sambaqui que estão mentindo. Nesse caso estamos todos sendo tratados como moleques.

Outra afirmação de Floriani é que a Estação Ecológica de Carijós fica "do outro lado do rio". Mas que rio? Olhem os mapas abaixo e constatem que estamos diante da mentira associada à desconversa, à falta de respeito, à crença de que somos todos ignorantes e desinformados.

Quanto ao estudo de impacto ambiental que teria sido elaborado pela Univali, seria importante que o mesmo fosse apresentado à comunidade. É exatamente isso que todos solicitam. Ou será que o estudo não existe? Se ele não existe, estaremos diante de mentiras, associadas a uma fraude que pode levar a danos - morais, ambientais, urbanísticos. Logo, resta pouco para ser caracterizado o 171. Com tornozelo inchado e tudo.




Localização da ETE (área assinalada).

2 comentários:

  1. A Dra. Hartman, do MPU, disse que já abriu um ICP com a denúncia dos moradores do Sambaqui. Vocês sabem em que pé está isso? E alguém dispõe do Plano de Manejo da EE Carijós? Esse documento, aprovado pela Portaria Ibama 43/2003, deve conter as formas possíveis de ocupação das áreas adjacentes à estação, chamadas de áreas de influência ou de amortecimento. É importante consultar esse documento, que não está disponível na página do Ibama.

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  2. Celso, tenho acompanhado a resistência a mais um descalabro dentre tantos que infelizmente temos testemunhado na nossa bela Ilha. Porém, a desfaçatez ganha contornos canalhas: 'a unidade(Carijós) fica do outro lado do rio.' Seria uma ótima piada não fosse ambientalmente criminoso aludir ao Rio Veríssimo como se ele fosse uma via sideral, extraterrena, no mundo dos selenitas. Segundo e mais importante, talvez: ao admitir que Carijós está ali do outro lado do rio, como se tal fato elidisse os riscos, admite que HÁ POSSIBILIDADE de prejuízos ao meioambiente. Do contrário, não houvesse risco ou prejuízo, não interessaria a ninguém que a reserva Carijós ou o complexo manguezal do Ratones estivesse aqui ou ali, ou que a estação de tratamento estivesse da mesma forma, aqui ou ali.

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