18 de fev de 2009

A autonomia da Fundação Franklin Cascaes

Litografia de Joaquim Margarida. O Moleque, 17.5.1885.
Acervo da Biblioteca Pública de Santa Catarina.


Caríssimas Amigas,
Estimados Amigos,
Devia-lhes a todos uma satisfação pela boa-vontade de receberem um documento sobre problemas culturais locais, pela generosidade de haverem-no lido e pelo apoio fundamental ao subscreverem o abaixo-assinado.
É uma enorme satisfação dar-lhes essa satisfação através da crônica abaixo: sim, ganhamos a briga. Nesta terça-feira já estivemos reunidos com a Secretaria da Educação, encarregada da missão pelo prefeito, definindo as alterações à lei que serão encaminhadas à Câmara dos Vereadores nos próximos dias. Vocês todos nos ajudaram a vencer mais esta batalha pela Cultura: muitíssimo obrigado!
De coração, Amilcar Neves.


Franklin e a Frente

Franklin Cascaes é o bruxo cativo da Ilha da Magia. Há quem torça o nariz para ele, um sujeito que saiu por aí catando histórias em toda a Ilha de Santa Catarina e cercanias açorianas, saiu pelos rincões nunca dantes ouvidos roubando histórias para colocá-las - aumentando-as, enfeitando-as, inventando-as, recriando-as - em textos e desenhos, em figuras de barro e presépios de vegetais nativos.

Franklin nos conta de bruxas, boitatás e assombrações do além (as assombrações do aquém ficam por conta da imprensa). Ele deu cara, forma, nome e letra de forma às lendas do povo ilhéu.

No ano passado ocorreu o centenário do seu nascimento. Saiu um livro de contos, 13 Cascaes, escrito por 13 autores locais, e fez-se algo mais.

Ele dá nome ao órgão da cultura do município, a Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes. No dia 26 de janeiro, a Fundação recebeu um golpe (fora os golpes duríssimos que sofre sempre que seus dirigentes deixam de cumprir o dever, o que não é raro de acontecer): por projeto do prefeito aprovado pelos vereadores sem discussão e sem leitura, ela perdeu sua autonomia e foi subordinada ao Turismo juntamente com a fundação do Esporte: a surrada mania de pensar que as três atividades são a mesma coisa, coisa que o governo do Estado chama de Lazer.

O pessoal da Cultura se rebelou. Através da Frente em Defesa da Cultura Catarinense o assunto se alastrou como fogo em rastilho de pólvora. Marcou-se reunião, surgiu um documento contundente pedindo não só a reconsideração da medida como a implantação do Conselho Municipal de Cultura e a criação do Fundo Municipal da Cultura.

Na sexta-feira, 13, o prefeito Dário Berger colheu aplausos e elogios na audiência solicitada pela Frente ao ter a grandeza de voltar atrás em uma decisão tomada, aprovada, sancionada e publicada: enviará nova mensagem à Câmara atendendo às ponderações da Frente.

E o que é essa tal de Frente?

Ela não é nada, ou melhor, nada mais do que um fórum virtual de debates abrigado na Internet. Não tem dono, chefe, presidente, cacique, diretoria. Não tem cor partidária nem candidato a cargos de confiança. Aberta a qualquer interessado, todo membro pode propor uma discussão ou levantar uma lebre.

Se o assunto for pertinente, ele prospera: a ponto de resgatar um pouco a dignidade de Franklin Cascaes, ao menos em sua encarnação de Fundação Cultural.

(Amilcar Neves, escritor)

Um comentário:

  1. Olá! Primeiramente, parabéns! Importantíssima esta luta pela dignidade da Cultura em Florianópolis! A criação de um Conselho Municipal de Cultura e de um Fundo Municipal são mesmo dois passos fundamentais! Como contribuição para esta longa batalha, sugiro a todos conhecerem a lei municipal de incentivo a cultura de Londrina, Paraná. Lá, o fundo foi criado em 2002, e por ter vivido lá sei que o trabalho do chamado PROMIC funciona. Com recursos do Fundo Municipal, vários editais são abertos anualmente; as diretrizes são claras e reformuladas em um fórum público anual; a aprovação dos projetos se dá por demanda; a contrapartida social dos projetos artísticos direciona a aplicação dos recursos; os prazos são prorrogáveis, ao longo dos anos a burocracia foi sendo flexibilizada, e a Secretara de Cultura fica como GESTORA, PARCEIRA DOS PRODUTORES CULTURAIS. Enfim, uma lei exemplar, que pode servir de base para a de Floripa. Inclusive, conheço dirigentes da cultura de Londrina que são muito prestativos e sem dúvida alguma teriam o maior prazer em auxiliar na formulação da política cultural de Floripa. Acho que vale a pena conhecer, para se ter um bom ponto de partida, não é mesmo? O link é: www.londrina.pr.gov.br/cultura/promic
    Por estar fazendo mestrado em Floripa, gostaria de participar e colaborar nas discussões! Se puder me incluir na lista, meu e-mail é danielchoma@yahoo.com.br Grande abraço, Daniel Choma.

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