11 de fev de 2009

Casan ameaça manguezais da Ilha

Trecho do rio Ratones (norte da Ilha de Santa Catarina).

A Casan escolheu os manguezais de Florianópolis como alvos preferidos. Não é só no de Ratones/Barra do Sambaqui que isso está acontecendo. No bairro João Paulo, onde também se situa uma área da Estação Ecológica de Carijós, a unidade de tratamento foi feita na marra - recebe os esgotos do Floripa Shopping e das instalações do Governo do Estado. Segundo o responsável pela Estação de Carijós, Apoena Figueiroa, a obra foi autorizada pelo Ibama mediante o compromisso da Casan de realizar um estudo de correntes da Baía Norte. Isso não aconteceu até hoje.

Outros dois manguezais estão ameaçados com estações de tratamento de esgotos: o do rio Tavares, onde se situa a Reserva Extrativista do Pirajubaé, o o pequeno porém não menos importante manguezal da Tapera. O primeiro vai receber os esgotos do Campeche e o segundo do Ribeirão da Ilha, num total de cerca de 30.500 usuários. As informações são de Ari Wolff, maricultor no Sul da Ilha e membro do futuro Conselho Municipal de Saneamento, transmitidas durante a reunião de ontem (10.2) à noite no Conselho Comunitário da Barra de Sambaqui.

Teóricamente as estações vão tratar os esgotos e lançar efluentes com purificação de 95% a 98%. Na prática, entretanto, sabemos que não é bem assim, com base na experiência concreta, a começar pela ETE instalada na sala de visitas da cidade, pilhada em flagrante pelo TCE-SC lançando nas águas da Baía Sul o lodo alí produzido. Se isso acontece na frente de todos, moradores e visitantes, podemos imaginar o que pode rolar numa estação distante, como a da Barra do Sambaqui. Sem contar a imperícia eventual na operação dos equipamentos e as quedas de energia elétrica. Como repórter do jornal A Notícia, sucursal de Florianópolis, flagrei mais de uma vez o extravasamento de esgotos no rio do Brás, em Canasvieiras, devido a chuvas intensas.
Outro aspecto dessas ETEs que a Casan projeta instalar é o tipo de tratamento que efetua, o biológico, visando a eliminação de coliformes e outras bactérias. Não passam pelo filtro dessas estações os elementos químicos - metais pesados, noçivos aos organismos vivos, e nutrientes na forma de fósforo e nitrogênio, por exemplo, usados em fertilizantes.

O lançamento desses nutrientes em larga escala amplia a proliferação de algas, levando ao surgimento mais frequentes das "marés vermelhas" e provocando a eutrofização (morte) dos corpos d'água. Um exemplo é o que acontece no trecho sul da Lagoa da Conceição, onde as algas que se multiplicam aceleradamente por causa da alimentação farta, aumentam o consumo do exigênio da água e impedem que os raios de sol façam sua parte na natureza.

Estamos diante de um grande crime ambiental sendo perpetrado pelo poder público, sem que as autoridades responsáveis tomem (aparentemente) qualquer providência. No plano municipal temos o dirigente máximo da Floram atuando sob comando direto do chefe do Executivo. Na esfera estadual figura a Fatma, mas seus dirigentes estão mais preocupados com o esquartejamento do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, o esdrúxulo Código Estadual do Meio Ambiente e, lógico, os cuidados com o conteúdo do cofre. Nessa linha que combina o corpo-mole frente às agressões ambientais com a agressividade diante da natureza, a Polícia Ambiental também não pode fazer muita coisa.

As esperanças se voltam para os órgãos federais. O Ministério Público Federal acompanha com interesse o caso e pode agir. Os técnicos do Ibama parecem estar contidos por intesses privados e oficiais, por conta do namorico entre o PT e o PMDB - a senadora Ideli Salvati conta com o apoio do governador Luiz Henrique da Silveira em seu projeto de chegar ao Governo do Estado. E temos finalmente a delegada da Polícia Federal Julia Vergara, quietinha no seu canto, mas certamente atenta para o que fizeram nos manguezais do Itacorubi e Saco Grande e pretendem fazer no Ratones, Rio Tavares e Tapera.

Toda essa pressa, segundo Ari Wolff, decorre da iminente criação do Conselho Municipal de Saneamento, do Plano Municipal de Saneamento e de um órgão regulador. A Casan não quer ser obrigada a democratizar suas ações, decisões e investimentos, que vão ser controlados por essas futuras instituições. Por esse motivo, a empresa não quer nem saber de estudo de impacto ambiental e outros "luxos", preferindo tocar seus projetos na marra e a toque de caixa, aproveitando os recursos do PAC. Toda essa imundice mal tratada vai, afinal, chegar às águas das baías Norte e Sul, que já recebem as descargas in natura dos rios Maruím, Cubatão e Araújo (trecho sul) e do rio Biguaçu (norte), entre outros.



A ABS e a rede de esgotos

A Associação de Bairro de Sambaqui (ABS) realiza hoje (11.2) a sua reunião mensal, à partir das 20 horas, no anexo do Casarão (Ponta do Sambaqui). Entre os temas da pauta está a maior integração da entidade ao movimento "Tratamento sim, esgoto no mangue, não", que contesta a construção de uma estação de esgotos junto ao manguezal de Ratones (Estação Ecológica de Carijós), nas margens do rio Veríssimo (Barra do Sambaqui). Local: Anexo do Casarão da ABS.

Outros temas da pauta são:

* Proposta de Parceria Instituto Tecnologia Cultural (www.projetosartecultura.com.br).
* Oficinas CEDUP.
* Contabilidade.
* Mostra Cultural e Esportiva - Gincaponta 2009.
* Instrução Normativa SRF N° 87, de 31/12/1996 (referente a gestão do Casarão).


Repressão política em Santa Catarina

"'A Justiça nem ao Diabo se há de negar': a repressão aos membros do Partido Comunista Brasileiro na Operação Barriga Verde (1975)". Esse é o tema da dissertação de mestrado de Mateus Gamba Torres, a ser defendida no próximo dia 16.2, às 9 horas, no Auditório do Centro de Ciências Humanas e da Educação FAED/UDESC (Campus do Itacorubi). A banca será composta pelos professores Reinaldo Lindolfo Lohn (orientador - PPGH-UDESC), Carla Simone Rodeghero (PPGH-UFRGS), Silvia Maria Fávero Arend (PPGH-UDESC) e Luiz Felipe Falcão (PPGH-UDESC). A apresentação é aberta ao público.


O cotidiano de israelenses e palestinos


Confira a matéria das jornalistas Amanda Almeida e Anita Martins, do Abril.com, intitulada "Apesar do cessar-fogo, israelenses e palestinos ainda vivem com medo." Moradores dos dois lados contam como está o cotidiano, o que passaram nos dias mais intensos do conflito e suas visões sobre o futuro. Confira.

Um comentário:

  1. Pois a Casan está anunciando as obras de tratamento de esgotos como um grande avanço. Mas a esse preço? Prefiro continuar com minha fossinha, cujo sumidouro fica inoperante quando chove como choveu em dezembro.

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