4 de abr. de 2009

IMAGENS DE SAMBAQUI




Casan muda projeto
mas não convence

Mapa apresentado na audiência de ontem no Ribeirão da Ilha.


As alterações feitas pela Casan no projeto global de saneamento para a Ilha de Santa Catarina, não foram suficientes para conter as críticas à iniciativa, associadas à desconfiança das comundiades em relação ao que vai ser executado. Isso ficou claro na audiência pública que a Câmara Municipal realizou ontem (2.4) à noite no Ribeirão da Ilha, com a presença de oito dos 16 vereadores e dezenas de moradores e lideranças comunitárias.

O primeiro a falar foi o representante da Casan, engenheiro Carlos Bavaresco, que apresentou as linhas gerais (bem gerais) do projeto. Reconheceu que a empresa errou ao projetar diversos emissários de efluentes nas baías de Florianópolis, além de ETEs em manguezais. Por isso foi preciso uma nova versão do que cai ser feito com os recursos do PAC (mapa acima).

O que se ouviu em seguida foi uma série de intervenções de moradores e lideranças que, em resumo, questionaram a transparência e mesmo a boa vontade da Casan. Mas não foram só eles. A gerente regional do Serviço do Patrimônio da União em Santa Catarina, Isolde Spíndola, avisou em público e vai confirmar por escrito: o uso de áreas da União precisa do aval do órgão, que pode ou não autorizar o uso das mesmas. O padre Círio Vandressen, representando o ministro da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (SEAP), Altemir Gregolim, também deixou seus recados. Gregolim, segundo ele, está em contato com os ministérios das Cidades e do Meio Ambiente, fazendo gestões para que o sistema de saneamento em Florianópolis não provoque danos ambientais.

Mas foi a fala da representante do Campeche, Janice Tirelli, que deixou alguns vereadores e os representantes da Casan de cenhos franzidos. "No Campeche não", disse se referindo ao projeto de emissário submarino previsto para o local, com os esgotos das regiões entre Santo Antônio de Lisboa e o Ribeirão da Ilha (menos o Centro). "Não fomos consultados a esse respeito", reclamou, dando a entender que se for feita a consulta a resposta poderá ser um sonoro "aqui não".

Audiência foi presidente inicialmente pelo
vereador João Aurélio Valente Júnior (PP).



Rui Wolff, maricultor, membro do Conselho Municipal de Saneamento.

Vera Bridi.


Janice Tirelli: "No Campeche não".

Ângela Maria Liuti, presidente da Ufeco.

Modesto Azevedo (Ufeco).

Arquiteto Ci Ribeiro.


Pe. Círio, representando o ministro Altemir Gregolim.

Isolde Spíndola: uso de bens da União precisa ser autorizado.

Moradores do Ribeirão e Sul da Ilha participaram da audiência.


Documento entregue ontem aos vereadores.

3 de abr. de 2009

RECEBENDO O TROCO


Por Olsen Jr.

Tenho alguns conhecidos que só se preocupam com as pessoas ao redor quando a ausência delas se transforma em desdém pelo que eles próprios estão fazendo. Calma que já explico: se o sujeito é um escritor e está lançando um livro, ele gostaria que todos os escritores da cidade o estivessem prestigiando, embora ele - o autor - nesse caso, tenha ido a poucos eventos desse gênero durante o ano; se promover um recital de poemas, bem, é muito fácil apontar as ausências, embora ele também não tenha prestigiado outras iniciativas dessas, como os contadores de histórias, as leituras públicas ou mesmo o programa já institucionalizado que ocorre uma vez por mês idealizado pela Fundação Franklin Cascaes de Cultura “A Cidade Contada”, por exemplo.

Então, não há reciprocidade. Quando acontece com “os outros” é refresco, mas quando a maldição dos ausentes recai sobre “nós” todos passam a ser alienados, indiferentes e até pobres de espírito.

Pessoalmente, resolvi o tal “dilema” de maneira dialética: você me prestigia e eu te devolvo na mesma moeda, se não puder ir, alguém irá me representar, como manda a etiqueta social. Se você me ignora, não tenhas a menor dúvida de que o troco por este pagamento já está sendo providenciado e chegará à exata proporção do que foi gasto.

Esses pensamentos me vêm assim, enquanto tomo o café tentando ler um jornal, mas invariavelmente, com os ouvidos ligados no que diz um desses poetas apreciadores de recitais. Talvez eu tenha sido duro, mas é o que me ocorreu na hora.

Ele reclama para um amigo comum que não tinha ido ao seu último recital, depois aponta o dedo para mim e afirma que também não me viu lá, dobro o jornal e simulo um ar constrito, esse falso ar de seriedade que alguns políticos ostentam quando vão contar outra mentira, e finjo prestar atenção.

Foram mais de 800 versos. – afirma com orgulho. Não sei quanto tempo fiquei lá, recitando, e todos prestando atenção no mais completo silêncio.

Olho para o cara que veste uma camiseta branca com um blazer escuro (uma caracterização da juventude na novela das 19h), uma calça frisada com um tênis sem meia. Sobre a cabeça, um chapéu desses que foi o orgulho de meio mundo na década de 1920. Tinha passado dos 60 anos esse meu amigo, era uma contradição em cima de duas pernas. Se fosse ator seria um canastrão.
Peço outro café e volto para o jornal enquanto ele se afasta para fumar um cigarro fora do recinto. Interessante, penso, alguém que nunca vi em lugar nenhum a não ser em seus próprios recitais, reclamando de que não o prestigiei.

Contive-me para não magoá-lo. Um poeta não ofende outro, a menos que seja intencionalmente, rio do meu sarcasmo e do autodomínio que me impediu de contar a história de um músico que costumava se apresentar em lugares públicos, sempre sozinhos, e num desses recitais, tão logo iniciou, as pessoas começaram a se retirar do recinto... Aos poucos, um a um, levantavam-se e saiam. O tempo passa rápido nessas circunstâncias, até restar um único cidadão para ouvi-lo. Então, o músico interrompe a récita e começa a falar para o seu último e único ouvinte: “Meu amigo, diz, quero cumprimentá-lo pela sua sensibilidade apurada, pelo bom gosto musical, por uma educação auditiva que se adquire à força de muito estudo e dedicação, leituras e principalmente, de vivência em concertos... Como disse, o senhor está de parabéns...

Nisso, ainda aturdido pelo que está ouvindo, o cidadão olha para os lados e para o chão, depois, surpreso e exasperado, grita: “gosto musical é o cacete, quero saber quem foi o cretino que roubou as minhas muletas”...

Sejamos francos, mais de 800 versos, nem eu que sou poeta aguento!
O futuro imediato pode ser nosso


Por Amílcar Neves

Assistindo à equipe do Avaí disputar a Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2009, agora em janeiro, ficou a impressão de que o futebol, em campo, é disputado por 11 jogadores de cada lado: 22 jogadores com duas pernas cada um, dois braços, um cérebro, 22 garotos com cabeça, tronco e membros em tudo semelhantes uns aos outros. Saudáveis, dispostos, bem treinados e empenhados em atingir um objetivo. Dos dois lados.

Vendo desta forma, a partida começa de fato em zero a zero. Não há nem mesmo um Pelé ou Garrincha (embora até eles continuem sendo um homem apenas, com cabeça, tronco, etc.) que, pelo nome e pela notória intimidade despudorada com a bola, poderiam fazer tremer a esquadra adversária. Na Copa São Paulo, nome de time não ganha jogo nem título. Pelo menos, não ganha antecipadamente, antes de terminarem a partida e o campeonato.

O Avaí caiu diante do Corinthians na semifinal do Pacaembu - caiu mas não perdeu para o campeão do torneio. O 1 a 1 de igual para igual, com supremacia azurra durante boa parte do jogo, levou a decisão para os pênaltis, quando nossos juniores acertaram a trave por três vezes; da parte deles, deixaram uma bola no travessão e o Renan - goleiro muito elogiado pela imprensa paulista - pegou uma das cobranças. O 3 a 2 nas penalidades levou o time da casa à final.

O Avaí da garotada lembrou a equipe de 2008 que encheu os olhos do torcedor com o futebol maravilhoso e alegre do Estadual passado e a eficiência que conquistou o acesso à Série A do Nacional deste ano. Não se deveria citar nomes em um espaço tão reduzido quanto o desta crônica: um nome citado aqui corresponde a pelo menos 12 ou 13 injustiças cometidas com os demais jogadores da equipe.

A verdade, porém, é que o júnior Marcos Paulo já havia entrado com personalidade e eficiência nas duas últimas rodadas do Campeonato Nacional de 2008, enquanto o garoto Medina deu outra vida ao ataque avaiano na partida em Ibirama contra o Atlético local, ainda no primeiro turno do Estadual deste ano.

Essa turma toda, desde que mantida em casa, dá à sua fiel e vibrante torcida a fundada esperança de que o Avaí terá um futuro brilhante neste e nos próximos anos. Basta cultivar o que foi plantado.


(Amilcar Neves é avaiano, escritor e autor, entre outros, do livro O Tempo de Eduardo Dias - Tragédia em 4 tempos, teatro, em coautoria com Francisco José Pereira. A crônica foi escrita para a Revista do Avaí, edição de fevereiro-março-2009. nº 3)

2 de abr. de 2009

Os protestos em Londres

A jornalista e historiadora Carú Dionísio (foto, 12.3.2007) participou do primeiro dia da jornada de protestos que marca a reunião de cúpula do G-20, em Londres. Acabam de chegar as primeiras imagens obtidas por ela com um aparelho celular. Formada em 2007 na UFSC (Jornalismo) e na Udesc (História), Carú foi de bicicleta até o centro financeiro da capital inglesa, estacionou e quando viu estava no meio da multidão. O local onde deixou a bike foi cercado pela polícia e para reaver o meio de locomoção teve que retornar à noite e, furtivamente, por ruas e vielas, retomar o precioso bem. As legendas das fotos foram enviadas por ela para o Sambaqui na rede.




Acampamento da ONG "Climate Camp" na Bishopsgate.

Para um jornalista da BBC, as manifestações
tinham uma "atmosfera de carnaval anarquista"

A agência está fechada, mas o cleaner não teve dia off.




Cameramen sofre!

Um pouco de teatro...

...música...

...e sonho.
Santa Catarina na vanguarda
da proteção ao meio ambiente

Santa Catarina está na vanguarda do Brasil e pode ser o novo farol de um planeta em aquecimento. As alternativas encontradas pelo Governo catarinense e seus deputados na Assembléia são o que de mais revolucionário e avançado existe no mundo atualmente. O bravo deputado Antônio Aguiar, líder do PMDB, do alto de sua sabedoria, destacou: “Com base numa criteriosa análise e com a participação de diversas entidades construímos uma proposta que coloca Santa Catarina na vanguarda das políticas ambientais, procurando atender às necessidades particulares que o Estado possui, contemplando o desenvolvimento sustentável e a preservação do meio ambiente”, afirmou.

Herneus de Nadal (PMDB) mencionou que o parlamento tem o compromisso de estar sincronizado com os pleitos da população e criticou a penalização dos produtores rurais por conta da legislação ambiental vigente. “Dentro de nossas prerrogativas estamos aperfeiçoando as normas ambientais de forma que atendam às particularidades de nossa região. Procuramos harmonizar e dar condições aos produtores de manter seu sustento e ao mesmo tempo preservar os recursos naturais do estado”, afirmou.

O relator deputado Romildo Titon (PMDB), assegura: “A sociedade foi ouvida, audiências foram realizadas, representantes de todos os setores apresentaram sugestões, parlamentares tiveram emendas acatadas, técnicos foram convocados, buscamos pareceres junto à seccional de Santa Catarina da Ordem dos Advogados do Brasil, tudo na busca de uma ampla participação na construção deste processo. Esta é uma proposta da sociedade catarinense e vai ao encontro do que foi sugerido nas 10 audiências públicas realizadas para tratar do tema”.

Outras brilhantes defesas foram feitas no dia da votação do Código pelas deputadas Ada De Luca (PMDB) e Odete de Jesus (PRB), e os deputados Elizeu Mattos e Moacir Sopelsa, do PMDB, Giancarlo Tomellin e Marcos Vieira, do PSDB, Joares Ponticelli, Reno Caramori, Kennedy Nunes, Lício Mauro da Silveira e Silvio Dreveck, do PP, Gelson Merísio, Cesar Souza Júnior e Jean Kulhmann, do DEM, Dagomar Carneiro (PDT) e Professor Sérgio Grando (PPS). Somente num solo sagrado como o de Santa Catarina poderiam proliferar mentes tão avançadas e argumentos tão bem amarrados.

É preciso agora que a iniciativa tomada em Santa Catarina seja levada para o restante do mundo. O planeta aguarda ansiosamente os detalhes de tão brilhante iniciativa. O deputado Jorginho Mello, distinto condutor do bravo Legislativo Barriga Verde, anunciou que vai a Brasília informar a quem de direito sobre o grito de independência ambiental, a proclamação da independência desse Estado onde a água não falta e não acontecem cheias ou secas. O nobilíssimo parlamentar deve ir mais longe: a ONU precisa tomar conhecimento das saídas que estão sendo encontradas para acabar com os problemas ambientais em Santa Catarina. A comunidade acadêmica e cienfíca mundial precisa conhecer a saída concebida por quem protege o meio ambiente e toma medidas para que as futuras gerações possam dele usufruir.

Inteligências tão privilegiadas já pensam em alterar a lei da gravidade, medida que certamente vai trazer mais benefícios à nossa população e novamente servir de farol ao restante do planeta. Afinal, usar a gravidade em sua totalidade é um desperdício, tendo em vista a quantidade de energia necessária para fugir de sua influência. Metade do consumo atual é suficiente, proporcionando economia aos cofres públicos e dando condições ao Estado de ampliar os investimentos no saneamento, da saúde e na educação.

Por tudo isso, as críticas dirigidas aos nossos ilustres parlamentares e aos técnicos do Governo do Estado que gestaram a iniciativa, são injustas, prematuras e indelicadas. Afinal, esses mesmos deputados tem plenas condições de proteger nosso meio ambiente e idéias nesse sentido já existem:
* As florestas precisam ser transformadas em troncos e armazenadas em galpões. Assim a madeira fica protegida para as futuras gerações.
* Os manguezais devem ganhar uma capa protetora, feita de argila e granito, tendo como guardiões permanentes os moradores dos loteamentos que podem ser erguidos sobre essas áreas.
* As dunas da Joaquina, por exemplo, podem ser usadas para aterrar o trecho sul da Lagoa da Conceição, acabando assim como a ameaça de eutrofização daquele corpo d'água.
* Os cursos d'água precisam ser canalizados, eliminando a necessidade de mata ciliar e faixa de proteção.

As idéias são singelas e viáveis. Isso confirma que os deputados não usaram os agricultores como massa de manobra, como a malediscência propaga. Ao contrário, eles fizeram a parte deles, foram sinceros, retos, probos, jamais iludiram quem quer que seja com propostas inviáveis. Se a decisão for anulada por alguma ADIN, as mãos parlamentares estarão limpas. Afinal, eles tentaram, a Justiça é que não permitiu.
Audiência no Ribeirão da Ilha
debate saneamento na Capital


Hoje (quinta, 2.4), às 19 horas, audiência pública da Câmara Municipal para tratar da questão do saneamento em áreas do Sul da Ilha de Santa Catarina. Solicitada pelo vereador Márcio de Souza, a audiência acontece no Centro Social Urbano da Freguesia do Ribeirão, em frente a Escola Básica Dom Jaime Câmara. (Foto: Caio Reisewitz. Site da Associação Brasileira de Alta Gastronomia-Abaga)


Debate na FAED

"Ditadura no Brasil: memória, história e historiografia", tema de debate com a participação dos professores Fernando Ponte de Sousa e Cristina Scheibe Wolff (UFSC) e Luiz Felipe Falcão (Udesc). Hoje (2.4), às 18h30, no auditório da FAED-Udesc (avenida Madre Benvenuta, 2007 - Itacorubi). Iniciativa do Memorial dos Direitos Humanos – MDH.


"Free Zone" em debate

"Free Zone", direção da Amos Gitai, no próximo sábado (4.4), às 18 horas, no Museu da Escola Catarinense (antiga FAED, rua Saldanha Marinho, 196, Centro), com entrada franca. O drama de 94 minutos de 2005, fruto de uma co-produção envolvendo Bélgica, França, Israel e Espanha, será debatido pela professora Ana Brancher (História -UFSC) e Silvinha Grando (Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino). A Mostra de Filmes Árabes (projeto Cinearth no Museu) tem o apoio do Museu da Escola Catarinense. Contatos: cinearth@gmail.com e comitepalestinasc@yahoo.com.br.

1 de abr. de 2009

Canela está de volta!

Canela, o vira-lata que cuida do jornalista Raul Longo, andou sumido
por uns tempos mas retornou à residência na Ponta do Sambaqui.